Diário
Director

Independente
João de Sousa

Sexta-feira, Dezembro 9, 2022

Bernie´s Coffee Shop em Los Angeles

Enquanto Donald Trump ganha o apoio público do poderoso lobby do armamento norte-americano, os principais financiadores do partido evitam ligações ao empresário. Hillary Clinton muda de estratégia e, ao invés de criticar o senador do Vermont, passa a desferir críticas e ataques ao empresário republicano. Senadora do Massachussets chama “desonesto” a Trump e ele responde acusando-a de “pateta”. Um conhecido café e restaurante de Los Angeles renovou a fachada, transformando-a numa instalação de arte a favor de Bernie Sanders. Antes das primárias no estado da Califórnia, pode acontecer um debate entre Trump e Sanders.

Lobby das armas apoia Trump, financiadores republicanos evitam-no

Nas vésperas das primárias, apenas para o Partido Republicano, no estado de Washington, a National Rifle Association (principal organização pró-armamento dos EUA) anunciou apoiar o empresário Donald Trump. O candidato à presidência a fazer sérias críticas à democrata Hillary Clinton num discurso durante uma convenção da NRA, revela a CBS News. Acusando-a de querer desarmar “americanos vulneráveis em bairros com alta criminalidade”, lembrou as taxas de criminalidade “tremendas” e deu um novo nome à rival: depois de “Hillary Trapaceira”, “Hillary Sem Coração”.

Na sua conta de Twitter, o polémico candidato escreveu que Clinton “quer ver-se livre de todas as armas e no entanto está rodeada de guarda-costas que estão bem armados. Chega de armas para Hillary!”, ironizou.

Entretanto, de acordo com o jornal The Washington Post, um importante grupo de financiadores do Partido Republicano continua a resistir no que respeita ao apoio à candidatura de Donald Trump; esta oposição pode dificultar a tarefa de alcançar o bilião de dólares em donativos antes das eleições de Novembro para a Casa Branca. O jornal indica que mais de uma dezena de significativos financiadores, pessoais ou famílias abastadas, não quer dar dinheiro para a campanha de Trump; o grupo em questão já financiou as campanhas de candidatos conservadores em 90 milhões de dólares nas últimas três eleições federais.

O polémico empresário tem reagido à hostilidade do establishment republicano ao alimentar discórdias com doadores abastados, que segundo ele, controlam os políticos. Essa estratégia tem tido sucesso, também devido à atenção mediática, aos comícios onde empolga apoiantes com os seus discursos e graças a uma combinação entre financiamento com o seu próprio dinheiro e pequenas doações. Essa fórmula será testada quando o empresário se apresentar a um grupo mais vasto de eleitores.

William Oberndorf, gestor de fundos e um dos principais financiadores dos republicanos, foi muito claro: “se a eleição for Trump contra Clinton, votarei Clinton”. Entre os financiadores individuais que se recusam a apoiar o candidato estão também Paul E. Singer, investidor nova-iorquino, e Joe Ricketts, fundador da empresa TD Ameritrade, cujas doações em eleições passadas ultrapassaram a fasquia da dezena de milhões de dólares.

Hillary Clinton opta por atacar Trump nos seus comícios

Em campanha no estado da Califórnia, Hillary Clinton voltou as suas críticas para Donald Trump. A CNN relata que a ex-senadora de Nova Iorque escolheu como alvo preferencial dos seus ataques o polémico empresário, ao invés de Bernie Sanders, seu directo adversário democrata e senador do Vermont.

Nos seus comícios pelo estado da Califórnia, a candidata descreve Trump como um agressor ganancioso que aspira lucrar à custa dos americanos de classe média, que perderam empregos e casas na crise económica de 2008. “Continuarei a falar contra o que ele afirma, o tipo de posições e políticas que está a destacar, a forma como trata as pessoas, como ele divide as pessoas”, insistiu num dos seus comícios.

Recordou as declarações do candidato republicano, em 2006, na Trump University: num áudio-livro pode ouvir-se que ele “como que” esperava que as previsões de problemas no mercado imobiliário fossem precisas, porque se a “bolha” rebentasse, “podia fazer-se muito dinheiro”, disse Trump.

Clinton foi drástica nas acusações: “porque é que elegeríamos para presidente alguém que na verdade queria um colapso do mercado? A verdade é que Donald Trump pensou que poderia fazer dinheiro à custa da miséria das pessoas”.

Noutro comício, Clinton lembrou as palavras do empresário sobre muçulmanos, mulheres e pessoas portadoras de deficiência: “ele tem o hábito de insultar mulheres”, acrescentando que “ele insultou o governador republicano do Novo México apenas por insultar”; Clinton insistiu que o rival republicano divide as pessoas numa altura em que os americanos têm de estar unidos.

A ex-primeira-dama também usou o assunto dos impostos para atacar o empresário, uma vez que este se recusou a divulgar a sua declaração de IRS, alegando estar a ser objecto de uma auditoria. Os representantes de Clinton declararam à CNN que ela não vai responder a nenhum dos ataques pessoais que Trump vier a fazer, em particular, comentários sobre as infidelidades cometidas no passado pelo marido e ex-presidente dos EUA, Bill Clinton.

Por sua vez, Bernie Sanders insiste que a campanha ainda não acabou, apostando numa viragem com larga percentagem de votos. “Vamos estar na corrida neste belo estado. Vamos falar a mais de 200 mil californianos e vencer aqui”, declarou o senador do Vermont num comício em Riverside. Pediu aos eleitores que “dissessem ao mundo inteiro que a Califórnia acredita na revolução política”.

Uma jovem apoiante de Sanders criticou Clinton à CNN: “ela não é uma pessoa digna de confiança para votarmos nela”, declarou Yasmeen Dabbos, 20 anos de idade e estudante de antropologia. “Não gostei dela desde o início e sinto que as pessoas querem-na apenas porque pensavam que ela era a única opção. Mas sempre senti que havia mais alguém que a poderia vencer, e Bernie obviamente é essa pessoa”.

“Diner” de Los Angeles torna-se instalação de arte para Sanders

Um restaurante e café em Los Angeles está a tornar-se, de forma temporária, numa instalação artística cujo tema principal é o candidato Bernie Sanders. O Johnie’s Coffee Shop, declarado em 2013 património histórico da cidade pelo Conselho de Los Angeles e cenário para filmes e videoclips, foi objecto de obras de manutenção e pinturas por parte do proprietário, Howard Gold, que conseguiu murais em honra do senador do Vermont no edifício, bem como posters e logotipos característicos de um “diner”. Conta o jornal The New York Times que o “diner” reabriu esta quinta-feira, num evento cujo objectivo é reforçar o apoio público de famosos e anónimos ao candidato democrata.

Dois murais multicoloridos tomaram conta da fachada do mítico “diner”, um deles com um retrato do senador do Vermont, conta o The Hollywood Reporter. Cre8, um dos artistas de graffiti responsável por uma das criações que fica no telhado do edifício, assume que quis chamar a atenção de todos, mesmo dos que não são simpatizantes do político. A pintura da fachada, com o rosto do senador, é da autoria de Dionisio Ceballos, muralista americano e mexicano. “Enquanto eu pintava, algumas pessoas aplaudiam, buzinavam e exclamavam ‘Força, Bernie!’, e algumas mulheres gritaram e disseram que eu devia fazer isto por Trump”, relatou o artista.

Depois do evento, o mítico local muda o nome para “Bernie’s Coffee Shop” até às primárias de 7 de Junho na Califórnia. O proprietário do “diner” também disponibilizou o espaço para sede de campanha do senador do Vermont.

Senadora democrata critica Trump e este chama-lhe “pateta” e “Pocahontas”

Elizabeth Warren, senadora democrata pelo estado do Massachussets, fez críticas muito sérias a Donald Trump enquanto discursava esta quinta-feira na gala anual do Center for Popular Democracy. Chamando o empresário e candidato republicano à Casa Branca de “desonesto”, Warren foi directa: “que tipo de homem torce para que as pessoas sejam expulsas de suas casas? Para que pessoas percam as suas pensões?”, frisou, chamando Trump de “homem pequeno, inseguro, ávido por dinheiro que não se importa quem fica prejudicado, desde que ele lucre com isso”.

A senadora Warren já tinha um historial de críticas visando o polémico empresário através da sua conta de Twitter, mas o discurso desta semana foi o mais directo e drástico. Warren declarou-se neutral na questão de apoiar um dos candidatos democratas à Casa Branca (Clinton ou Sanders).

O visado pelas críticas não tardou a retaliar: recorrendo à conta de Twitter, chamou Warren de “pateta”, questionou o seu trabalho como senadora chegando mesmo a dizer que era “um falhanço total”, mas foi mais longe num comício no Novo México: Elizabeth Warren foi chamada de Pocahontas, numa alusão a declarações feitas por ela, em 2012, de que seria descendente de nativos americanos.

Debate entre Sanders e Trump?

Se Hillary Clinton declinou o convite para um debate com Bernie Sanders antes das primárias da Califórnia, no dia 7 de Junho, Donald Trump mostrou-se disponível. O jornal New York Times avança que, ao ser entrevistado para o programa Jimmy Kimmel Live, o polémico empresário disse estar aberto a essa possibilidade, caso os lucros de bilheteira revertessem para a caridade. Ou seja, caso as estações televisivas que vão transmitir tal debate doassem entre 10 a 15 milhões de dólares para organizações de beneficência que apoiem as causas da saúde feminina.

O senador do Vermont reagiu de forma rápida na sua conta de Twitter: “Game on” (“o jogo está aberto”), mostrando-se ansioso por esse debate. “Esta oferta de debate é real”, sublinhou Michael Briggs, um porta-voz de Sanders. Por sua vez, Trump diz ter recebido telefonemas de estações televisivas sobre tal debate, e diz prever que este tenha lugar numa grande arena.

Um debate inter-partidário (entre Sanders e Trump) antes da convenção do Partido Democrata que vai nomear o candidato à Casa Branca criaria um evento invulgar e poderia deixar Hillary Clinton numa situação desfavorável, uma vez que os seus principais rivais iriam ocupar a ribalta. Poderia ainda dar uma oportunidade ao empresário republicano de mostrar as suas ideias e tentar persuadir os eleitores democratas.

“Não” ao debate com Sanders, diz Trump

Esta sexta-feira, citado pela CNN, Trump deu uma reviravolta e recusou um debate transmitido pela televisão com Bernie Sanders porque “não seria apropriado”, uma vez que “o processo de nomeação democrática está totalmente viciado e a ‘Hillary Trapaceira’ não permitirá que Bernie Sanders ganhe”. No seu estilo habitual, o empresário disse ainda que “as estações televisivas não provaram ser demasiado generosas no que respeita às causas da caridade”.

O senador do Vermont reagiu à negativa do polémico rival republicano: “espero que ele mude de ideias outra vez. O senhor Trump é famoso por mudar de ideias muitas vezes num dia”, ironizou Sanders, que perguntou directamente ao empresário: “do que é que tem medo?”

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -