Diário
Director

Independente
João de Sousa

Quinta-feira, Janeiro 27, 2022

Mediterrâneo: cinco mortos por hora na última semana

refugiados
Numa única semana, entre 23 e 30 de Maio, pelo menos, 880 pessoas morreram em vários naufrágios no Mediterrâneo, divulgou a Reuters.

Estes números aumentam para mais de 2500 – números oficiais das Nações Unidas – os mortos em naufrágios de barcos pejados de refugiados de diversos países em busca de uma vida melhor no “velho continente”, desde o início do ano.

O ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – disse temer que estes números subam muito mais com a chegada do Verão. “O ano 2016 está a mostrar-se particularmente mortífero”, disse à Al Jazeera, William Spindler, porta-voz do ACNUR.

“Estes números enfatizam a importância das operações de salvamento como parte da resposta ao movimento de refugiados e migrantes no Mediterrâneo, e a necessidade de alternativas reais e mais seguras para pessoas que necessitam de protecção internacional urgente”, acrescentou.

“Segundo algumas fontes, o recente aumento do número de mortes está ligado aos esforços dos traficantes para maximizar o lucro antes de começar o mês do Ramadão”, disse Spindler.

Em 2016, pelo menos, 203.981 pessoas fizeram a arriscada travessia para a Europa, de acordo com o ACNUR.

 

“Queria gritar, mas, em vez disso, decidi cantar para me acalmar a mim e ao bebé”

Na passada sexta-feira, um voluntário da ONG alemã Sea-Watch, encontrou no Mar Mediterrâneo, um bebé com cerca de 12 meses, na sequência de um naufrágio de um barco de pesca cheio de refugiados, entre a Líbia e a Itália, que causou mais de 50 mortos.

Segundo a Reuters, Martin – assim se chamava o voluntário germânico, terapeuta musical e pai de três filhos – contou que o bebé não teria mais do que um ano de idade e encontrava-se na água, “como um boneco, com os braços estendidos”.

“Agarrei o antebraço do bebé e coloquei o corpo leve nos meus braços, como se ele ainda estivesse vivo”, explicou Martin. “Queria gritar, mas, em vez disso, decidi cantar para me acalmar a mim e ao bebé, que nunca devia ter morrido, e para dar algum tipo de expressão a este incompreensível, desolador momento”, confessou desolado.

Pouco se sabe acerca do bebé que, segundo a ONG alemã, foi entregue à Marinha Italiana. A equipa que resgatou a criança não sabe se o pai ou a mãe do bebé estão entre os sobreviventes do naufrágio.

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -