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Quarta-feira, Dezembro 8, 2021

Campanha Presidencial: informação? intoxicação? complot? rumor?

José Mateus
Analista e conferencista de Geo-estratégia e Inteligência Económica

José MateusObservar a campanha presidencial em curso leva rapidamente a colocar a questão do que é “informação”, “desinformação” e ainda a inevitável “misinformation” (ou, em francês, “mésinformation”, em português ainda não existe palavra para o conceito).

Uma análise dos conteúdos dos media mainstream sugere um domínio da “misinformation” (muito bem ‘embalada’, por exemplo, na campanha de Marcelo), alguns ‘picos’ marcantes de “desinformação” e muito pouca “informação”.

Como sugere um dos mais credíveis observadores da realidade informacional no Ocidente, François-Bernard Huyghe, “a desinformação está por todo o lado e a verdade em lado nenhum”. A questão de um leitorado cada vez mais desconfiado face aos media torna-se: informação? intoxicação? complot? rumor?

huygheA ironia reside no facto de vivermos em sociedades que colocam a transparência como exigência, em que nada deve continuar escondido, mas que se banham numa atmosfera tóxica de “misinformation” e de pura “desinformação”, onde a “verdade” é o gambuzino de serviço.

Nesta atmosfera, avança o observador supracitado (um homem do grupo da École de Guerre Économique), novas formas de ideologia se manifestam e novos sistemas de poder aparecem.

Como diz Huyghe, passámos da desinformação rara (porque exigente em recursos e know-how) para a “mésinformation” generalizada e democratizada (pelos novos horizontes que a web e as redes sociais lhe abriram bem como a proletarização das redacções tradicionais).

A verdade dos factos torna-se assim objecto central das lutas, nestas sociedades, pelo que “desinformação” e “mésinformation” não são mais uma simples questão moral mas tornam-se um ‘enjeu’ estratégico.

Nesta campanha presidencial, Marcelo soube manipular a seu favor a atmosfera dominante de “misinformation”. Daí (também) ser o candidato dos media mainstream. Os restantes nove andaram, como candidatos, entre a ignorância (do mundo em que vivem) e a ingenuidade (nas formas de tratar com esse mundo). Veremos, no Domingo, se tudo corre como programado ou se os resultados irão dar a esta campanha uma (in)esperada dimensão de caso de estudo…

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