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Sábado, Dezembro 4, 2021

“Casamento de Isaac e Rebeca”

Guilherme Antunes
Licenciado em História de Arte | UNL

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Este tema do antigo testamento serve apenas de pretexto para a ilustração poética de um sonhador arcadiano. É um pintor das minhas preferências e que considero exaltante o modo belo, dulcificado e fértil das suas criações paisagísticas. Na minha opinião, aplica-se a Lorrain, a genial interpretação de Picasso de que «a pintura nunca é prosa. É poesia que se escreve com versos de rima plástica».

As árvores obrigam à condução do olhar para dentro, onde está esplanada uma claridade sublimada pelo azul das águas, irmanada com o azul do céu, donde intuímos uma atmosfera idílica, italiana, que tão bem conheceu.

É “preciso” perscrutar as suas propostas através dos recantos e caminhos da natureza idealizada, que é, para o pintor, o que verdadeiramente conta: a Natureza! As figuras são intencionalmente polvilhadas na paisagem, tendo o mesmo valor que os barcos, os animais, a queda de água ou a casa torreada.

Nota da Edição

claude-lorrainClaude Lorrain (1600-1682)
Pintor, desenhador e gravador do período barroco, que desenvolveu o seu próprio estilo poético-romântico na pintura clássica de paisagem. Nasceu em Chamagne, Lorraine, França, em 1600 e pouco se sabe sobre a sua infância. A primeira ocupação, como padeiro, levou-o para Itália.

Aos treze anos de idade, vive em Roma onde iniciou um período de aprendizagem com Agostino Tassi, que desenhava pinturas de tecto ilusionistas. É portanto possível que Lorrain tenha ajudado Tassi na decoração interior do Villa Lante do Cardeal Mantalto, em Baganaia.

Na primavera de 1625 Lorrain regressou a França, por um curto tempo e trabalhou em afrescos na Igreja Carmelita, em Nancy como assistente de Claude Deruet.
Posteriormente, regressou a Roma, onde permaneceu até à morte.

Por volta de 1630 Claude Lorrain pintou afrescos no Palazzo Crescenzi em Roma. Depois disso, restringiu-se à pintura com cavalete. Com excepção de um assistente, Lorrain sempre pintou sozinh. Era uma pessoa pensativa, que tinha intuição para determinados assuntos. A Arte de Lorrain abordou temas bíblicos e mitológicos, o que se traduziu em cenários pictóricos belos e e sensíveis.

Durante estes anos, Claude Lorrain afirmou-se como um pintor de paisagem. Vivia no sopé de uma colina, na Igreja Sanctissima Trinità dei Monti. A partir de 1635, Lorrain manteve o registo das suas encomendas. Trabalhou para papas, familiares e seguidores.

Em 1635, recebeu uma Comissão de Philipp IV de Espanha, para cujo palácio Claude Lorrain contribuiu com pelo menos sete quadros de paisagens. As suas pinturas em grande escala levaram a que usasse um estilo alegre, ousado e monumental, o que contrastava com as suas peças iniciais, detalhadas e bastante pequenas, segundo a tradição nórdica.

Com o passar do tempo e a idade, passou a produzir menos mas os quadros dessa época são mais refinados e destinados a uma clientela exclusiva. Como a escolha do tema era feita frequentemente pelos clientes,a maioria dos quais muito instruídos ou com conselheiros muito sofisticados, os seus motivos são raros e, por vezes, considerados únicos na história da arte. Pintou dez grandes quadros para o Duque de Paliano, Lorenzo Onofrio Colonna.

No final da vida, o seu estilo tornou-se mais épico e heróico. A sua derradeira obra, ” Ascanius Shooting the Stag of Silvia”) mais uma vez voltou ao universo épico da Eneida de Virgílio.

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