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Quinta-feira, Janeiro 20, 2022

Caso Wikileaks: México desafia EUA e oferece asilo político a Assange

Justiça britânica rejeitou a extradição de Assange aos EUA, o que foi comemorado pelo presidente López Obrador.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou nesta terça-feira (4) que oferecerá asilo político ao cofundador do Wikileaks, Julian Assange. O anúncio desafia os Estados Unidos, que tentam impor a extradição de Assange para o país e condená-lo a penas de até 175 anos de prisão. Nesta segunda-feira (3), a Justiça britânica rejeitou a extradição.

“Pedirei ao ministro de Relações Exteriores que efetue os trâmites pertinentes para que se solicite ao governo do Reino Unido a possibilidade de que o senhor Assange seja libertado e que o México lhe ofereça asilo político”, declarou Obrador em coletiva de imprensa. Obrador garantiu que seu governo se comprometerá a dar “proteção” a Assange e a assumir a responsabilidade de que “não intervenha nos assuntos políticos de nenhum país”.

O líder mexicano comemorou a decisão do Tribunal Penal Central de Londres, que concluiu nesta segunda-feira que o cofundador do Wikileaks não pode ser extraditado para os Estados Unidos. Segundo a Corte, o risco de Assange se suicidar “seria alto” caso a extradição fosse permitida. “É um triunfo da justiça. Fico feliz que a Inglaterra aja dessa forma, porque Assange é um jornalista e merece uma oportunidade. Sou a favor de que seja indultado.”

O presidente mexicano já havia deixado clara sua posição nos dias anteriores: “Desejo que ele seja perdoado e libertado. Não sei se ele reconheceu que agiu contra normas e um sistema político, mas na época esses telegramas mostraram como o sistema mundial funciona em sua natureza autoritária”, havia dito na sexta-feira.

López Obrador continua firme em sua defesa de Assange em grande parte porque o governo dos Estados Unidos o esteve investigando desde 2006, segundo o Wikileaks. O presidente mexicano considera que a maioria desses telegramas, datados na época em que ele fazia parte da oposição, “violava a soberania, as liberdades e a democracia”.

A oferta de López Obrador a Assange faz parte de uma longa tradição de asilo no México. No final de novembro de 2019, o país recebeu o ex-presidente boliviano Evo Morales, mas a lista inclui, desde o exílio a republicanos espanhóis, o revolucionário soviético e traidor da Revolução Russa León Trotsky, o cineasta espanhol Luis Buñuel, o ex-presidente argentino Héctor Cámpora e a guatemalteca ganhadora do Prêmio Nobel Rigoberta Menchu.

O governo mexicano, condicionado pela proximidade com os Estados Unidos e por um poder militar limitado, tem se caracterizado por uma diplomacia legalista. É uma política aderente ao direito internacional, aos princípios de não intervenção e de solidariedade com as vítimas de regimes autoritários e de guerra.

Assange está em uma prisão de Londres e é acusado pela justiça dos Estados Unidos de 18 crimes de espionagem e invasão de computadores. Ele revelou documentos confidenciais sobre a intervenção militar dos Estados Unidos e seus aliados no Iraque e no Afeganistão – os arquivos revelavam abusos, ilegalidades e crimes de guerra do Pentágono.

Já as autoridades suecas exigiram a entrega do hacker, acusado de crimes de estupro e abuso sexual contra duas mulheres que haviam colaborado em um evento do Wikileaks em Estocolmo dois anos antes. Assange havia obtido proteção diplomática do governo do Equador, então presidido por Rafael Correa, e permaneceu sob proteção por sete anos nas instalações da embaixada equatoriana em Londres.


Com informações do El País | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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