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Terça-feira, Outubro 26, 2021

11 dias em greve de fome exigindo ver o marido

Isabel Lourenço
Observadora Internacional e colaboradora de porunsaharalibre.org

A cidadã francesa, Claude Mangin, entrou em greve de fome no passado dia 18 de Abril, após a sua quarta expulsão de Marrocos.A Sra. Mangin é esposa do preso político saharaui, Naama Asfari, do grupo de Gdeim Izik, condenado a 30 anos de prisão.

Faz agora dois anos que a Sra. Mangin é impedida de visitar o seu esposo, um direito universal, garantido não apenas a nível internacional como na própria lei marroquina.

Após inúmeros apelos e denuncias, ao largo dos últimos dois anos, tanto ao governo francês, à União Europeia, aos mecanismos das Nações Unidas e ao governo marroquino, sem obter direito de entrada em Marrocos, Claude Mangin decidiu entrar em greve de fome.

A minha única revindicação é ter o direito de visitar o meu marido na prisão, nada mais que isso, um direito básico, um direito humano” Disse Claude Mangin numa conferência de imprensa realizada no passado dia 25 de Abril, na Câmara Municipal de Ivry, perto de Paris que a acolhe durante esta greve.

Numa carta, Dom Michel Santier, Bispo de Créteil, e Philippe Bouyssou, Presidente da Câmara Municipal de Ivry-sur-Seine pediram ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que interceda junto de Mohamed VI, Rei de Marrocos, para permitir Claude Mangin-Asfari para visitar o seu marido, defensor da causa saharaui encarcerado em Marrocos desde Novembro de 2010.

Na carta datada de 25 de Abril, Bispo de Créteil e Philippe Bouyssou, prefeito de Ivry-sur-Seine de apelam ao compromisso do presidente para com “o respeito dos direitos humanos fundamentais” pedindo-lhe para intervir junto das autoridades marroquinas para “levantar os bloqueios” para “parar a situação que coloca perigo a saúde”, de Claude Mangin Asfari e para lhe permitir ver o marido. Ambos enfatizam sua “imensa preocupação” com seu estado de saúde.

O movimento de Solidariedade francês e internacional tem vindo a demonstrar a sua solidariedade com Claude Mangin-Asfari, de 62 anos, acolhida durante a greve de fome nas instalações da Câmara Municipal de Ivry. Esta greve de protesto é a última arma destinada a pressionar as autoridades francesas para que pressionem as autoridades marroquinas a respeitar a lei marroquina e o direito internacional.

Uma tarefa árdua uma vez que Marrocos é inflexível na questão do Sahara Ocidental, que ocupa desde 1975 e que autodenomina como “suas províncias do sul”. França por outro lado é um defensor incondicional de Marrocos ignorando sucessivamente todos os atropelas de direitos humanos e narcotráfico desta ex-colónia francesa.

Claude Mangin informou na conferência de imprensa que lhe foi dito por responsáveis da administração francesa que a ordem de interdição da sua entrada em Marrocos e subsequente visita ao marido vinha directamente do Rei de Marrocos.

O CAT (Comité contra a tortura das Nações Unidas) condenou em 2016 o reino de Marrocos relativamente às torturas sofridas por Naama Asfari desde a sua detenção em 7 de Novembro de 2010. As queixas apresentadas ao CAT não devem resultar em represálias contra quem apresenta a queixa e contra os seus familiares, infelizmente Marrocos mais uma vez desrespeita a Convenção contra a Tortura e o OPCAT (Protocolo Facultativo à Convenção da ONU contra a Tortura) ambos ratificados pelo Reino Alauita não só continuando a utilizar a tortura como instrumento sistemático de repressão como persegue os familiares das vitimas.

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