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Sábado, Julho 20, 2024

“Colonia”: filme alemão descortina capítulo negro do regime militar de Pinochet

colonia
Ainda sem data prevista para estrear nos cinemas portugueses, o realizador alemão Florian Gallenberger apresenta “Colonia”, um thriller situado no Chile da época do golpe militar, tendo como protagonistas a actriz britânica Emma Watson e o actor alemão Dainel Brühl.

Segundo o El País, o filme baseia-se numa obra do escritor chileno Roberto Bolaño, que descreveu Colonia Dignidad, uma espécie de campo de detenção; os actores encarnam um casal jovem alemão que se opõe ao regime militar chileno de Augusto Pinochet. Um fotógrafo, protagonizado por Brühl, é raptado pela polícia secreta do país, e detido nos calabouços da Colónia.

A esposa (Emma Watson) luta para resgatar o marido e acaba também detida naquele campo, rodeado de histórias e mitos, dirigido por um ex-membro da Juventude Hitleriana (vivido por Paul Schäfer) que torturava os detidos e abusava sexualmente de menores. Foi condenado três décadas depois a 20 anos de prisão por violar 25 crianças.

Roberto Bolaño recorda um dos boatos: “dizia-se que estavam ali escondidos Eichmann, Bormann, Mengele”, aludindo aos fugitivos nazis que ali teriam encontrado um esconderijo.

colonia“Na verdade, o único criminoso de guerra que passou uns anos na Colónia, dedicado de corpo e alma à horticultura, foi Walther Rauff, o qual se tentou vincular com algumas práticas de tortura levadas a cabo nos primeiros anos do regime de Pinochet”, disse o escritor.

De facto, Rauff, acusado de assassinar 97 mil judeus e russos, viveu no Chile até à sua morte em 1984, mas nunca se conseguiu provar a sua relação com os militares chilenos.

O filme despertou memórias no seu protagonista, Daniel Brühl (“Adeus, Lenine” e “Sacanas Sem Lei”) cujos pais eram activistas políticos. “Nos fins dos anos 70, quando eu nasci, ajudaram uma família do Chile. Quando era pequeno brinquei muito com crianças chilenas sem perceber a dimensão política”, disse o actor à Deutsche Welle. Recorde-se que as duas Alemanhas acolheram cerca de 7 mil refugiados políticos vindos do Chile após o golpe militar.

Para o realizador, as autoridades não querem que as pessoas saibam o que se passou ali. “Colonia” fala da suposta ligação da embaixada alemã aos autores do golpe militar. Ao apresentar a obra no Festival de Cinema de Toronto, Gallenberger confessou: “foi por isso que eu quis fazer este filme, para fazer luz sobre este capítulo tão obscuro”.

 

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