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Segunda-feira, Maio 16, 2022

Combater a desigualdade é fundamental para o país crescer, revela pesquisa

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Divulgada recentemente, a terceira edição da pesquisa Nós e as Desigualdades, da Oxfam Brasil em parceria com o Datafolha, revela que 86% das pessoas condicionam o progresso soberano do país ao combate à desigualdade social. E 85% acham obrigação do Estado promover a igualdade. Péssima notícia para os neoliberais e para a extrema-direita.

Maioria absoluta dos 2.079 entrevistados, em 130 cidades de todas as regiões, entre os dias 7 e 15 de dezembro do ano passado, acredita na taxação das grandes fortunas como forma de diminuir a pobreza, que já atinge mais de 120 milhões de brasileiros.

Aumentar a cobrança de impostos dos mais ricos é defendida por 86% das pessoas. Inclusive, 94% acreditam que os impostos devem beneficiar políticas públicas para atender as necessidades dos mais pobres.

“Esperamos que esta pesquisa contribua para o debate sobre a importância do Estado no enfrentamento das desigualdades, ainda mais em um contexto de desafios adicionais graças à pandemia, a partir da percepção da sociedade, fomentar o debate sobre a urgência da construção de um Brasil mais justo, solidário e humano”, diz Katia Drager Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

De acordo com os dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é um dos países com maior concentração de riquezas do mundo. Em 2019, só perdia para o Catar. Nesse levantamento, o 1% mais rico do país detinha 28,3% da riqueza produzida. O fosso da desigualdade se aprofunda ao reparar que os 10% mais ricos do país abocanhavam em 2019, 41,9% da riqueza. Menos de 60% ficava nas mãos de 90% da população.

Para piorar, a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta o agravamento da desigualdade durante a pandemia. Enquanto os 10% mais ricos perderam apenas 3% da renda, os 40% mais pobres perderam 30%, em 2020.

“Na realidade, a desigualdade vem crescendo no Brasil a partir de 2016, com agravamento no governo de Jair Bolsonaro”, realça Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “O negacionismo e a falta de ação para comprar vacina agravou ainda mais”.

Veja o relatório completo Nós e as Desigualdades, da Oxfam Brasil em parceria com o Datafolha

Somados os desempregados e os desalentados, no país, formam um exército de cerca de 20 milhões de pessoas sem perspectiva de melhorias a curto e médio prazos.

A Oxfam mostra também que a maioria acredita que a educação é a principal forma de melhora de vida (22%), seguidos da fé religiosa (21%) e acesso à saúde de qualidade (19%).

“Com todos os ataques sistemáticos promovidos pelo atual governo e o sucateamento das escolas públicas feito por diversos governadores, a população mais pobre sabiamente enxerga na escola a maneira de melhorar de vida”, afirma Francisca Pereira da Rocha Seixas, dirigente da CTB-SP, da Apeoesp e da CNTE.

A pesquisa da Oxfam destaca também a percepção de que a meritocracia não pode existir num país tão desigual quanto o Brasil, 60% acreditam nisso.

Para 67% as mulheres ganham menos por serem mulheres e pelo mesmo motivo enfrentam mais dificuldades que os homens no mercado de trabalho. Enquanto 58% percebem que os negros ganham menos por serem negros, além de 76% acreditarem que a cor da pele influencia na contratação pelas empresas.

“Cada vez mais as pessoas vão percebendo que racismo estrutural mantém a população negra – maioria no país – em grandes dificuldades no mundo do trabalho e na vida”, reforça Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB.

E ainda, para 84% a abordagem policial é mais violenta e para 78% a justiça é mais dura em relação aos negros. Além de que os pobres negros sofrem mais que os pobres brancos para 81% dos entrevistados.

“Estudar essa pesquisa da Oxfam é importante para prepararmos os passos futuros para a construção de um país mais igual”, acentua Vânia. “Reconquistar os direitos trabalhistas e fortalecer o movimento sindical são medidas essenciais para isso”.


Texto em português do Brasil

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