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Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

A consciência segundo a física

Nélson Abreu, em Los Angeles
Engenheiro electrotécnico e educador sobre ciência e consciência. Descendente de Goa, nasceu em Portugal, e reside em Los Angeles.

Segundo as palavras de um dos pais da era informática, Federico Faggin, as leis da física estão incompletas ao não incluírem o mais óbvio: somos conscientes. 

Temos uma realidade interna. “Nenhuma máquina está consciente da sua própria existência através da auto-observação directa pelo simples facto de que nenhuma máquina é consciente: ela não tem a propriedade auto-reflexiva da consciência.”

A dado momento da sua vida, Faggin ambicionou a criação de um microprocessador consciente. No entanto, rapidamente percebeu que “uma máquina não pode operar opções realmente criativas não contidas nas variáveis já armazenadas”. Mais uma vez, ele abriu uma nova fronteira.

“Em Sillicon Valley, a maioria dos estudiosos ainda está convencida de que a era dos robôs conscientes chegará em breve”, mas Faggin não tem tanta certeza disso.  “É a liberdade humana que gera a imprevisibilidade que leva a acidentes e problemas, mas essa mesma liberdade também leva a encontrar soluções criativas para situações que nunca ocorreram antes”.

Foi a busca pela compreensão das máquinas que o levou a estudar Física e a formar-se em Pádua, com a melhor nota possível (“summa cum laude”), isto em  tempo recorde. Em 1968, foi para Palo Alto na Califórnia para trabalhar para a SGS Fairchild onde inventou o MOS, o primeiro circuito integrado de silício. Um par de anos depois, trabalhando para a Intel, projectou e desenvolveu, em colaboração com outros, o MCS-4, o primeiro microprocessador comercial do mundo.  

Em Sillicon Valley  fundou, com trinta e poucos anos e sem experiência empresarial, a sua primeira organização, onde concebeu e desenvolveu a arquitectura do CPU Zilog Z80, o microprocessador que se tornou no mais utilizado de todos os tempos.   

Igualmente, Faggin, desenvolveu novas soluções para “reconhecimento de padrões” e, em seguida, a tecnologia “touch screen” que revolucionou a forma como interagimos com dispositivos móveis.   

Em 2015, apresentou em Portugal o seu trabalho a 230 estudiosos de 40 diferentes  nações  no 1° Congresso Internacional da Consciência (CIC) em Evoramonte. Agora em Maio, Faggin regressa à segunda edição do CIC, desta vez em Miami (e online). A não perder.  

Faggin está a escrever um livro sobre a realidade de acordo com os princípios cognitivos baseados numa nova ciência e matemática. Para este cientista,  a consciência e a matéria são dois aspectos irredutíveis e interdependentes da energia primordial que não precisam ser manifestados simultaneamente[1].

A biologia emergiria como um tipo de tecnologia da consciência – como um avatar de jogo de realidade virtual – que permite que a consciência interaja e aprenda de novas maneiras, enquanto emersa neste ambiente temporário.  

Conclusão: em vez de as máquinas se  tornarem conscientes, é mais provável que a Biologia substitua o silício como base da computação no futuro.

[1]Este conceito exigiria que a consciência existisse apenas no espaço-consciência (espaço-C), e o espaço físico (espaço-P) contendo todas as estruturas materiais, fosse uma emanação do espaço-C. Aqui o C-espaço é um espaço que não é físico, o mesmo espaço não-físico que poderia ser a fonte de energia do Big Bang.

Nesta visão, as formas materiais existem também no espaço-C, mas apenas na forma de padrões que se podem manifestar dentro do espaço P de acordo com certas leis. Por exemplo, a lógica de um programa de computador pode existir sem estar programado num dispositivo físico.

Autores

Ornella Capra
Ornella Capra, Los Antos, Califórnia / Itália

Nelson Abreu
Los Angeles, Califórnia EUA / Portugal  

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