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João de Sousa

Sexta-feira, Junho 14, 2024

Construção da libertação da Venezuela pertence ao seu povo

A construção da libertação da Venezuela pertence a seu povo e exclusivamente ao povo venezuelano, sem qualquer interferência externa seja de que natureza for. A eleição de uma Assembleia Constituinte ali realizada é a expressão máxima de uma Nação democrática que promove suas reformas ouvindo-se o povo.

Siro Darlan

Embora vivendo momentos críticos em sua história recente, as conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. O índice de desenvolvimento humano da Venezuela em 2015 foi de 0,767 o que a colocou na categoria de elevado desenvolvimento humano, tendo se posicionado em 71º entre 188 países. Essa classificação é igual ao da Turquia. Os dados demonstram que de 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0,634 para 0,767, ou seja, um aumento de 20,9%. Nesse período a expectativa de vida subiu 4.6 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto per capita aumentou cerca de 5,4 %.

Lá como aqui, o crescimento da classe média fez diminuir o empobrecimento e reduzir a pobreza absoluta. A distribuição de cestas básicas, tão criticada por alguns movimentos políticos combateu a fome e estreitou o fosso que separa os ricos dos pobres. Mas isso tem sempre um preço politico e midiático e essa é a razão dessa reação que se dedica a destruir uma das poucas democracias ainda sobrevivendo na América Latina. A Venezuela tem sido vitima da cobiça por suas riquezas naturais pelo capital e por potências que vêm ameaças ao seu domínio prevalente e excludente.

Eventuais desacertos do governo venezuelano resolvem-se pelas vias democráticas e o recurso às eleições só será eficaz se não houver interferência externa. Nota-se no noticiário local e internacional uma grande demonstração de parcialidade da mídia nitidamente jogando a opinião pública contra o governo que o povo venezuelano escolheu através das urnas. O que está em jogo não são os ganhos e perdas de um governo em crise, mas o enfraquecimento da democracia em detrimento dos mesmos interesses que arrasaram a Líbia e o Médio Oriente através de invasões e guerras, assim como pela mesma razão que volta a colocar o Iran em perigo e destruiu o programa do pré-sal brasileiro, ou seja, a ambição das grandes potências econômicas que não suportam a ideia de reduzir as desigualdades sociais e as riquezas do planeta Terra.

Não é sem razão que vemos parte da população batendo palmas ao verem novamente os militares nas ruas com armas quando sua missão constitucional seria garantir a democracia e a vontade soberana do povo.

A presidenta do CNE, Tibisay Lucena, afirmou que o processo constituinte teve 41,53% de comparecimento do eleitoral às urnas, totalizando 8.089.320 votantes. “Nosso agradecimento e reconhecimento a todos os venezuelanos, não só àqueles que foram votar, mas inclusive àqueles que não foram, mas também se negaram à violência”, afirmou Lucena.

Mídia internacional

As manchetes dos meios internacionais de imprensa foram uníssonas ao destacar uma suposta “baixa participação” em um contexto de “caos generalizado” no país durante a jornada desse domingo.

O El País, da Espanha, titulou: “Violência e abstenção durante a votação da Constituinte de Maduro”. No momento em que foi publicada, o Conselho Nacional Eleitoral não havia divulgado o primeiro balanço sobre a participação eleitoral.

O argentino Clarín destacou a posição do governo de Maurício Macri, que decidiu não reconhecer os resultados da eleição que classificou de “ilegal”. Na capa, a imagem de um ataque a bomba realizado pelos grupos de oposição em um bairro da zona leste da capital, com o título: “Caracas, entre gases, repressão e parapolícias”, referindo-se à Guarda Nacional Bolivariana.

O New York Times disse: “Violência marca a eleição da Assembleia Constituinte na Venezuela”. O jornal estadunidense menciona a explosão ocorrida “em uma das principais ruas de Caracas” sem citar possíveis causadores. O mesmo fez a agência de notícias EFE, que publicou em uma rede social a manchete “Um agente ferido pela explosão de três motos da polícia de Caracas durante as eleições da Constituinte venezuelana”.

Violência localizada

A oposição relaciona 16 mortes com o pleito eleitoral de domingo. Já o Ministério Público reconhece 10 mortes relacionadas aos conflitos. Dentre os muitos feridos, estão 8 policiais da Guarda Nacional Bolivariana que foram atingidos por uma bomba detonada em uma das barricadas da oposição da Avenida Francisco de Miranda.

Um dirigente chavista e candidato constituinte foi assassinado ainda na madrugada do dia 30, em Ciudad Bolívar, no centro-sul do país. José Félix Pineda Marcano era candidato pelo setor das Comunas (uma espécie de associação de vários bairros). Segundo a imprensa local, um suspeito se aproximou dele e efetuou vários disparos com uma arma.

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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