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Quinta-feira, Maio 30, 2024

Contra educação humana e inteligente, Tarcísio quer a inteligência artificial

Francisca Rocha
Francisca Rocha
Professora Francisca é dirigente licenciada de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e de Finanças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB

O jornal Folha de S.Paulo revela o que todas as pessoas ligadas à educação pública no estado de São Paulo, já desconfiavam. O governador do estado, Tarcísio de Freitas vai usar o ChatGPT, empresa de Elon Musk (que vive atacando a soberania nacional), para a criação de material didático em substituição aos profissionais humanos.

Na contramão de uma visão humana da educação, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) o ChatGPT fica responsável por criar “a primeira versão da aula com base nos temas pré-definidos e referências concedidas pela secretaria”, enquanto os professores ficam responsáveis por “avaliar a aula gerada e realizar os ajustes necessários para que ela se adeque aos padrões pedagógicos”.

Quando na realidade, tanto Tarcísio quanto o secretário Renato Feder insistem na substituição de humanos por máquinas, ainda mais num setor tão vital para o desenvolvimento da inteligência, da ciência, da cultura e do país como é a educação, principalmente a educação pública, que atende a maioria da população, justamente as crianças e jovens que têm menos chances na vida.

A Seduc afirma ainda que após a revisão de profissionais humanos, todo o material será entregue a uma equipe interna da secretaria para uma suposta adequação linguística do conteúdo produzido. O governo paulista não aprendeu ainda a lição de todo o material digital produzido com erros gravíssimos em todas as disciplinas.

Feder não respondeu nem se será usada a versão gratuita do ChatGPT ou versão paga, com dinheiro público envolvido. Depois de anunciar a entrega de 33 escolas, inicialmente, para a gestão da iniciativa privada com dinheiro público, o governador quer agora criar mecanismos de controle autoritário, tirando de vez o caráter humano e democrático da educação paulista. A que preço?

Porque o governo não usa todo o dinheiro empenhado nesses projetos tão prejudicais à educação e não utiliza essa verba em investimentos na melhoria da educação pública para criar boas condições no processo de ensinar e aprender? Com investimentos na melhoria de infraestrutura das escolas, nas condições de trabalho e na melhoria salarial de quem realmente trabalha na educação.

Engraçado que Tarcísio defende com tanto ardor a tecnologia (mal usada) na educação, mas é contra o uso de câmeras (que salvam vidas) nos uniformes dos policiais. É esse modelo de gestão autoritária e voltada para os interesses empresariais que questionamos. Lutamos por educação pública, gratuita, de qualidade, inclusiva e que abranja toda a diversidade humana. Uma educação voltada para a inteligência e em defesa da vida.

O que o governo paulista precisa fazer é contratar todas as professoras e todos os professores aprovados no último concurso realizado até preencher as mais de 100 mil vagas existentes na educação pública do ensino oficial do estado imediatamente.


Texto em português do Brasil

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