Diário
Director

Independente
João de Sousa

Quinta-feira, Agosto 11, 2022

Contra Le Pen, franceses saem às ruas e dizem “não” à extrema direita

Pesquisa aponta que, se o segundo turno fosse hoje, o presidente Emmanuel Macron venceria com 55,5% dos votos, contra 45,5% para Le Pen.

Milhares de manifestantes saíram às ruas de Paris e outras dezenas de cidades francesas neste sábado (16/04) para expressar a preocupação com uma possível eleição de Marine Le Pen, candidata da extrema direita à presidência. A oito dias do segundo turno, a líder do partido Reunião Nacional tem cerca de 45% das intenções de voto.

“Viemos dizer ‘não’ à extrema direita. Para a sociedade, para a liberdade, mas também para o meio ambiente, seria uma verdadeira regressão se Marine Le Pen chegasse ao poder”, afirmou Jean-François Julliard, diretor-geral do Greenpeace France, durante a concentração dos manifestantes na Praça da Nação, no leste de Paris.

Na capital francesa, a marcha teve início às 14h30 do horário local, com a expectativa de reunir cerca de cinco mil participantes. Em outras cidades da França, a previsão é que os protestos levem cerca de 15 mil pessoas às ruas. Mais de 30 organizações convocaram a mobilização, entre elas, a Liga dos Direitos Humanos, SOS Racismo, a Confederação Geral do Trabalho, entre outras.

“Contra a extrema direita, pela justiça e a igualdade”, diziam cartazes exibidos pelos manifestantes em Paris. Outra faixa levava a mensagem: “melhor um voto fedorento do que um voto assassino”. Entre os participantes do protesto, muitos fizeram duras críticas ao presidente-candidato Emmanuel Macron, mas ressaltaram a necessidade de optar pelo chefe de Estado nas urnas para barrar Le Pen.

O militante antirracismo Sasha Halgand lamenta ter que participar de um segundo turno disputado entre os dois candidatos, “um duelo que a juventude não quer”. “Macron contribuiu para a ascensão da extrema direita, por isso fazemos um apelo em prol do voto útil. Se Marine Le Pen chegar ao poder, haverá milícias fascistas, leis liberticidas”, afirma.

A estudante de cinema Lucile Muller, 19 anos, participou da marcha de Paris para “protestar contra os dois candidatos”. “Não é aceitável que tenhamos que escolher entre Macron e Le Pen, já tivemos esse mesmo resultado há cinco anos, mas naquela época não conhecíamos Macron. Agora, diante das violências policiais, das leis liberticidas, gostaríamos de um segundo turno entre Jean-Luc Mélenchon e Macron, com debates sobre a ecologia, por exemplo”, defende.

Pela manhã, centenas de militantes do grupo ambientalista Extinction Rebellion ocuparam a região Grands Boulevards, no centro de Paris, para protestar contra a inação climática. Os manifestantes bloquearam a circulação e instalaram barricadas no local, exibindo faixas com as mensagens “Este mundo está morrendo, vamos construir o próximo” e “Nosso dever é nos rebelar”. A polícia foi acionada, mas se limitou a fazer revistas e a verificar a identidade dos militantes.

A marcha contra a extrema direita foi considerada “a risco” pela polícia de Paris, que acionou um grande dispositivo de segurança. Antes do início do desfile, as autoridades alertaram que o evento poderia reunir diversos tipos de manifestantes, entre membros do movimento coletes amarelos, da esquerda radical e de associações progressistas. No final da tarde, policiais atiraram bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes, mas o desfile continuou o percurso em direção à Praça da República, no leste da capital.

Em Besançon, no leste da França, os participantes do ato saíram às ruas evocando “o inaceitável estado da sociedade francesa atualmente”. É o caso de Malee Caretti, 28 anos, que se diz revoltada com o aumento do racismo no país. “Há anos só piora. Vemos a banalização de todo o tipo de violência social”, aponta.

Em Marselha, no sul, manifestantes ocuparam as ruas no mesmo momento em que Macron realizava um comício no local. Nesta que é a segunda cidade mais populosa da França, ficando atrás apenas de Paris, Mélenchon liderou o primeiro turno com 31,12% dos votos, à frente de Macron (22,62%).

A mobilização contra a extrema direita se uniu às manifestações em diversas universidades nos últimos dias. Várias instituições, entre elas a prestigiosa Sorbonne, em Paris, foram palco de protestos contra o resultado do primeiro turno, realizado no último domingo (10). Os jovens dizem não se identificar com nenhum dos dois candidatos.

Marine Le Pen criticou a realização dos protestos, classificando a iniciativa como “profundamente antidemocrata”. “Acredito que os franceses pensam que é desagradável ver a escolha deles sendo contestada nas ruas”, afirmou, em visita ao município de Saint-Rémy-sur-Avre, no norte. “Tenho vontade de dizer para essas pessoas insatisfeitas: vão votar, então!”, reiterou.

Segundo a candidata da extrema direita, a “diabolização” de seu partido pelo “sistema” é o que motiva os atos deste sábado. “Acredito que não haverá muita gente protestando. Já vi manifestações no passado muito maiores que essas”, alfinetou Le Pen.

Pesquisa divulgada neste sábado pelo Instituto Ipsos Sopra/Steria, aponta que se o segundo turno fosse hoje, o presidente Emmanuel Macron venceria com 55,5% dos votos, contra 45,5% para Le Pen. Na última eleição, o chefe de Estado se elegeu com 66,1% dos votos contra 33,9% para a líder da extrema direita.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -