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Segunda-feira, Julho 4, 2022

Costa grande demais para falhar

João Vasco AlmeidaCosta está como os bancos: é grande demais para falhar. E anda aí um sentimento nas ruas que dará ao PS muito mais que o período de tolerância normal que se entrega aos Governos.

Os portugueses passaram a ter uma fé sintética em António Costa, por três razões: não querem Passos de volta; desejam acreditar que não perdem tanto com este Executivo; estão cansados de pagar por tudo e já julgam que Bloco e PCP pouco mal hão-de fazer.

A boina de Marcelo ajuda a isto. Parece que estamos num jantar de família com parentes próximos e distantes e ninguém quer falar daquelas partilhas há 25 anos que deram a casa do Tramagal a um primo que enganou toda a gente. Calam-se e comem o cabrito.

Esta modorra da fezada justifica que o Governo tenha já apresentado um Orçamento rectificativo antes de debater o verdadeiro Orçamento de Estado. Justifica ainda que a dor de cabeça da TAP, a complicação do Banif, do BES e do BPN, a aparente entrada de leão do ministro de Educação, todas as falhas, enfim, sejam ignoradas.

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(c) jellidonut

O povo está a querer ser sereno. Nenhum dos partidos está pronto para mudanças. Costa sabe: moderou o Bloco de forma a ser apenas um partido de centro-esquerda, entretido com as eutanásias e outros temas laterais.

O PCP, humilhado pelos resultados legislativos e presidenciais está a fazer contas: manda Jerónimo para o gulag de Pirescoxe e põe lá o camarada Chico Lopes ou espera que João Oliveira ou Bernardino cresçam?

Quem mais ajuda nisto é o líder do PSD, um “cocheiro frustrado” nas palavras do patrãozinho. Passos está sandeu. Inaugura fontes donde corre água há milénios e afirma-se errado no que fez. Diz que a vida política é para resistentes mas não resiste à sua própria ridicularia pública. Marcelo e Balsemão sabem disso, mas não encontram ninguém à mão para a travessia do deserto, com condições de, numa penada, ganhar a Costa.

Quando resta Costa, resta ao povo rezar por Costa. É mais do que uma lua-de-mel, é uma síndrome de Estocolmo.

A culpa não é do líder do PS, que está, decerto, a dar o que sabe e o que tem. Mas lá na Rua Gomes Freire e no Terreiro do Paço podiam começar a preocupar-se com as olheiras de Centeno e, no Rato, atentar ao tom mais melódico de João Galamba.

Ambos começam a dar sinais de que isto não vai ser nada fácil.

O melhor é fazer pagelas de António com Marcelo nos braços, ambos a olhar para Junkers, montados numa nuvem onde trompeteiam Draghi, Constâncio e Dombrovskis.

 

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