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Terça-feira, Dezembro 6, 2022

Crise dos refugiados: Turquia negoceia mas faz exigências

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Refugiados no mar Egeu – Aegean Guernica  –  ilustração do cartoonista búlgaro Jovcho Savov.

Nas vésperas de mais uma ronda negocial entre a Turquia e líderes de países da União Europeia, em Bruxelas, onde a questão dos migrantes e refugiados será mais uma vez abordada, o presidente turco Recep Erdogan ameaçou abrir as fronteiras turcas com a Grécia e Bulgária, “colocar refugiados em autocarros” e enviá-los para a Europa se os líderes não lhe derem dinheiro suficiente para ajudar a inverter o fluxo de requerentes de asilo.

Estas declarações foram registadas por um site de informação económica grego, e divulgadas pela cadeia de televisão russa RT, após um encontro em Antalya, solo turco, com o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, e o presidente do Conselho Europeu Donald Tusk.

Erdogan terá exigido seis biliões de euros, contra os 3 biliões de euros oferecidos pela UE num prazo de dois anos.

Num debate descrito como tenso e aceso, Erdogan também se mostrou agastado com um relatório muito crítico do regime, que reflectia sobre a possibilidade da Turquia aderir à União Europeia.

Para além das críticas ao partido de Erdogan nos items de liberdade de imprensa e independência do sistema judicial, o relatório tinha sido adiado para depois das eleições gerais no país, a pedido de Erdogan.

A discussão subiu de tom, com o presidente da Comissão Europeia a lembrar que o chefe de Estado turco fora “tratado como um príncipe” num encontro em Bruxelas, ao que Erdogan terá ripostado: “Como um príncipe? Claro, eu não represento um país do terceiro mundo”. E continuou, dizendo que representa “80 milhões de pessoas”.

À Reuters, nenhum dos organismos confirmou ou desmentiu a autenticidade das declarações gravadas.

A Turquia é um ponto de estadia e de passagem dos migrantes e refugiados que procuram a Europa, fugindo aos conflitos armados na Síria mas também às situações complicadas que se arrastam no Iraque e outros países do Médio Oriente. O país tem mais de 3 milhões de refugiados, sendo que 2,5 milhões são sírios, e não conseguiu reduzir de forma significativa as partidas de migrantes com destino às ilhas gregas.

Em 2015, mais de 850 mil migrantes chegaram às costas da Grécia vindos da Turquia.

Entretanto, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, vai encontrar-se com os líderes europeus para nova ronda negocial, onde, para além da questão dos refugiados e migrantes que estão em solo turco, pede o levantamento de restrições de passaportes turcos para Outubro deste ano.

Ao mesmo tempo, a União Europeia quer começar, no Verão,  a repatriar pessoas que transitaram da Turquia para pedir asilo mas que não tiveram direito a esse mecanismo de protecção, enquanto que a NATO começa a discutir a probabilidade de ajudar as autoridades gregas a patrulhar o Mar Egeu, hipótese que agradou a Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, que pôs como condição que os navios de patrulha se mantivessem em águas territoriais turcas e não afectassem a soberania grega.

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