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João de Sousa

Sexta-feira, Abril 19, 2024

Da privacidade em tempo de pandemia

J. A. Nunes Carneiro, no Porto
J. A. Nunes Carneiro, no Porto
Consultor e Formador

DIA 15, FALAMOS

Usar a aplicação nem deveria ser obrigatório. Deveria ser um dever cívico de todos nós.

1

Vivemos um dos piores anos das nossas vidas: insegurança, medo, doença, morte, desemprego, crise e ansiedade. Ou um misto de tudo isto em que a pandemia tornou as nossas vidas.

Uma prioridade de todos: reduzir o impacto deste problema e, sobretudo, fazermos tudo (a nível pessoal, familiar, social) para dentro do possível, diminuir as hipóteses de contágio, reduzir o número de infectados, aliviar a pressão no SNS, etc. E, como é óbvio, diminuir o número de vidas perdidas.

Este parece-me ser o essencial apesar de todos estarmos “cansados” da pandemia e das suas múltiplas limitações.

 

2

Neste contexto de absoluta excepção, em que o problema é de todos e em que a responsabilidade ética e pessoal tem de ser sublinhada, não consigo compreender os detractores do uso da aplicação Stayaway COVID.

Muitos defendem que não pode ser de uso obrigatório, que não tem qualquer efeito prático, que é uma atentado à privacidade, entre outros argumentos.

Permitam-me que, apesar de ser um feroz defensor da privacidade e da liberdade individual, não comungo destas críticas.





Eu instalei e uso diariamente a aplicação. Considero-a muito útil (tanto quanto mais útil quanto mais pessoas a utilizarem…) e defendo que o seu uso devia ser um dever cívico sentido e assumido por todos nós como um modesto mas significativo contributo para ajudar a prevenir contágios com uma arma fundamental: a informação atempada e anónima sobre os nossos contactos que tenham contraído a doença.

Para mim, o que aqui temos é o prescindir de um pouco da nossa privacidade a favor da saúde de todos.

 

3

A polémica gerada em torno desta aplicação ainda me parece mais despropositada numa época em que, milhões de pessoas nas diversas redes sociais se expõe e abre mão da sua privacidade por motivos tão discutíveis como o local onde passaram as férias ou onde estão agora com amigos; ou sobre o que estão a comer fotografando o restaurante, a esplanada ou a travessa.

As redes sociais recolhem hoje milhões de informações que põem em causa a privacidade dos internautas. E sobre isso a preocupação parece ser muito menor do que a partilha de informação anónima sobre a eventual alteração do nosso estado de saúde contribuindo para combater a propagação da pandemia.

Repito: usar a aplicação nem deveria ser obrigatório. Deveria ser um dever cívico de todos nós.


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