Diário
Director

Independente
João de Sousa

Sábado, Outubro 16, 2021

Em defesa de José Rodrigues dos Santos

João Vasco AlmeidaEm defesa do pivô da RTP José Rodrigues dos Santos, que abriu o Telejornal de segunda-feira aos berros por causa do valor da dívida pública!

Num gráfico que era mostrado, o Zé dizia “(…)De tal modo que no mês passado a dívida pública portuguesa atingiu os 233 mil milhões de euros, um valor que deverá rondar os 130 por cento do PIB(…)”.

Digo “aos berros” mas isso já é normal no Zé. Desculpem lá o pleonasmo.

Há bocado, quando publiquei a crónica, sustentei que o Zé vinha a dizer que a dívida ia subindo em percentagem. Era mentira. Falou sim dos valores em euros: 61 mil milhões, depois os 96, ainda os 185 e, depois… 0s 233!

O caos desta peça está em não distinguir as percentagens dos valores absolutos e não reflectir o esforço dos portugueses, apesar das regras terem mudado a meio do jogo.

O problema é que não se pode comparar o incomparável. Ou se mostra a dívida de antes com todo o perímetro ou se mostra depois com o critério inicial. Senão, não é um gráfico: é um boneco.

O PS indignou-se com o José e os laranjinhas vieram defendê-lo. A reacção é ainda pior que a pastelada mentirosa apresentada pela RTP.

Quem devia estar aos berros com o homem dos romances de cordel era o PSD e o CDS, pois o boneco sobe durante o mandato da coligação. Em vez de andarem a rir-se e a dizer que o governo do PS está a estragar tudo, deviam estar a reciclar livros em Chelas, frente à RTP.

185 em percentagem, 231 em euros. Topam? Não? Fixe!
185 em percentagem, 231 em euros. Topam? Não? Fixe!

O PS, pelo contrário, devia comendar Rodrigues dos Santos com a faixa de Grão-Mestre dos Gráficos Tangosos, e agradecer pela demonstração plena de que o Executivo do PAF foi um crime para o país.

Isto é, o PS bem podia aproveitar a estupidez pegada do não-jornalismo e, ao mesmo tempo, bater em Passos e no Zé.

Mas não. Indignaram-se.

Porque zero é o grau de rigor jornalístico que a peça da RTP mostrou. Ou tudo, ou nada.

 

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -