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Quinta-feira, Maio 26, 2022

Dexametasona traz riscos, não trata vírus, mas inflamação do pulmão

Em vários hospitais do país, o remédio é comumente usado quando a doença avança para a perigosa inflamação do pulmão. Corticóide não trata o vírus, tem riscos para hipertensos e diabéticos e apresenta resultados tímidos.

Após divulgação de estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que apontou bons resultados da aplicação de baixas doses do corticoide dexametasona em pacientes graves da covid-19, especialistas apontaram riscos que a medicação pode causar se utilizada sem prescrição médica. O remédio já vinha sendo utilizado em vários hospitais, em casos específicos, nas fases avançadas da doença.

Infectologistas foram unanimes em afirmar que, em caso de automedicação, o uso da dexametasona pode apresentar riscos. Há possiblidade de perda óssea, aumento da pressão arterial, aumento de sódio no sangue, bem como da glicose, que é a taxa de açúcar no sangue. Isso significa que a diabetes pode ser potencializada ao se utilizar o medicamento.

Além disso, o uso prolongado e contínuo da medicação diminui a imunidade do paciente, como todo corticoide imunodepressor, tornando o paciente mais propenso a pegar infecções.

Portanto, só deve ser utilizado, conforme mostrado no estudo, em pacientes que estejam internados, precisando de oxigênio e ventilação mecânica. Quando o paciente está na fase de inflamação do pulmão, em alguns hospitais, é colocado em ventilação em pronação, ou seja, de barriga pra baixo para liberar o pulmão. Neste momento, costuma-se dar o corticoide dexametasona com muito critério. Serve apenas para proteger o pulmão da inflamação, o estágio mais avançado e perigoso da doença, portanto não tem nada a ver com o combate ao vírus Sars-Cov2, o novo coronavírus.

 

O fim do discurso da cloroquina

Cientistas britânicos anunciaram que a dexametasona, um esteroide barato e amplamente disponível, reduziu em até um terço as mortes de pacientes graves de covid-19. Os resultados do estudo, efetuado por vários cientistas, incluindo da Universidade de Oxford, foram anunciados nesta terça-feira (16).

Escolheram-se aleatoriamente 2.104 pacientes para receber o medicamento, comparando-os a 4.321 outros, submetidos apenas aos cuidados usuais. Após 28 dias, reduziu-se em 35% as mortes entre os doentes dependentes de respiradores, e em 20% para os que apenas necessitavam de oxigênio suplementar. O esteroide não pareceu ajudar pacientes menos graves.

Desta forma, este medicamente deve se tornar protocolar em pacientes mais graves. É até agora o único medicamento com comprovação de eficácia no tratamento, embora esta eficácia seja limitada. Acredita-se que a droga poderia salvar um em cada oito pacientes conectados a respiradores artificiais e um em cada 25 pacientes que necessitam oxigênio.


por Cezar Xavier   |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

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