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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

Donald Trump na mira dos rivais: Mussolini, KKK e impostos

trump
O aspirante a presidente dos EUA, Donald Trump, volta a ser alvo de polémica. A CNN revela que Trump colocou na sua conta de Twitter a frase “é melhor viver um dia como um leão do que cem anos como uma ovelha”, frase atribuída ao ditador italiano Benito Mussolini. O “tweet” polémico foi enviado da conta @ilduce2016, uma conta humorística que atribui a Trump frases do ditador italiano.

Numa entrevista ao programa da NBC, “Meet The Press”, o milionário afirmou a propósito: “Está tudo bem, é uma citação muito boa, muito interessante, e eu sei quem a fez. Que diferença faz que seja Mussolini ou outra pessoa qualquer?”. Quando o apresentador perguntou ao candidato republicano se quer ser associado a um fascista, Trump fez uma breve pausa e acrescentou: “Não, quero ser associado a citações interessantes”.

Outra controvérsia revelada pela CNN foi o facto de, no passado Domingo, Trump ter declarado numa entrevista que não tinha dados suficientes para renegar David Duke, antigo dirigente do Ku Klux Klan. “Não sei nada sobre ele. Ele apoiou-me? O que se passa? Porque eu não sei nada sobre David Duke ou sobre supremacistas brancos”, defendeu-se numa entrevista ao programa “State of The Union”.

Porém, no ano 2000, Donald Trump fez declarações públicas que dão a entender o contrário: de acordo com o New York Times, ele decidira afastar-se de uma campanha presidencial do Reform Party porque, nas suas palavras, “agora inclui um Klansman, Mr. Duke, um neo-nazi”. Depois da entrevista ao programa da CNN, o aspirante a presidente dos EUA publicou na sua página de Tweet o seu desagrado face ao ex-líder do KKK.

Este distanciamento de Trump não evitou as críticas dos seus rivais republicanos, em particular de Marco Rubio. Num discurso no estado da Virgínia, Rubio insistiu nas declarações de Trump em 2000 para atacar o milionário. “Já agora, não só ele está errado, como é inelegível. Como é que vamos fazer o nosso partido crescer com um nomeado que se recusa a condenar o Ku Klux Klan? Não me digam que ele não sabe o que é . Isto é grave”, insistiu o senador da Flórida.

Um dos seus apoiantes, o afro-americano Tim Scott, da Carolina do Sul, foi ainda mais longe nas críticas: “Qualquer candidato que não é capaz de condenar de imediato um grupo de ódio como o KKK não representa o Partido Republicano, e não vai uni-lo. Se Donald Trump não é capaz de estar contra o KKK, não podemos confiar nele para representar a América contra Putin, o Irão ou o ISIS ”.

Por sua vez, Ted Cruz, outro candidato republicano, escreveu na sua conta da rede social Twitter: ”É mesmo triste. @realDonaldTrump, és melhor do que isto. Deveríamos todos concordar que o racismo está errado e que o KKK é uma aberração”. E John Kasich também não ficou de fora nas críticas a Trump: “Os grupos de ódio não têm lugar na América. Somos mais fortes juntos. Ponto”.

Do lado dos democratas, também houve ataques a Donald Trump. O senador Bernie Sanders escreveu na sua conta de Twitter: “O primeiro presidente negro da América não pode e não será sucedido por um xenófobo que se recusa a condenar o KKK”.

A CNN revelou ainda que, em Janeiro, um grupo de supremacia branca apelou ao voto em Trump através do chamado “robocall”, uma gravação automática via chamada telefónica, feita aos eleitores. Nessa gravação, que aludia à proposta do milionário para impedir a entrada de muçulmanos em território norte-americano, ouve-se: “Não precisamos de muçulmanos. Precisamos de pessoas brancas inteligentes, bem-educadas que assimilem a nossa cultura. Vota em Trump”.

Na altura, o candidato demarcou-se desse apoio mas acrescentou que sabia que “as pessoas estão muito zangadas”. Quanto a um potencial vice-presidente, caso seja eleito, Trump revelou à CNN: “gosto da ideia de um político que segue as minhas capacidades”.

No campo dos impostos, Donald Trump recusa-se a apresentar as suas próprias contas, apesar da pressão dos rivais Ted Cruz e Marco Rubio: “Tenho sido auditado nos últimos dez ou doze anos”, defendeu-se, acrescentando que existe tal pressão “por ser conservador e simpatizante do Tea Party… não sei o que seja, mas fui excluído”. E foi claro: “Até a auditoria ser concluída, não vou publicar as minhas contas”, mas deixou a porta aberta para no futuro divulgar a lista das suas contribuições para caridade.

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