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João de Sousa

Sábado, Dezembro 3, 2022

E agora, Catalunha?

Hélder Costa
Hélder Costa
Actor, dramaturgo e encenador do Teatro A Barraca.

Há muitos anos estive no país Basco Francês para assistir a uma representação teatral numa aldeia evocando hábitos e rituais religiosos da Idade Média. Alguns já nos conhecíamos de Festivais  e há muito que falávamos de Arte e Política. O que era natural, havia poucos anos que tínhamos saído das ditaduras Ibéricas e as lutas por autonomia do país Basco e Catalunha faziam o seu caminho. Depois de um almoço, eu, Boadella dos Joglars, célebre grupo de teatro Catalão, com resistência que meteu prisões e exílio, e outros camaradas discutíamos essas questões. E como sempre cultivávamos a ironia e a derrisão, avancei com a proposta da União Ibérica…Portugal junta-se à Galiza, colam-se as Astúrias, país Basco, Catalunha, Valência. Andaluzia, Algarve…

Interrompe um camarada de Madrid… e eu, onde fico?

– Não tenhas problema… damos a independência a Madrid…

A verdade é que a linha federalista, e até a possível União Ibérica são temas que sempre foram discutidos por vários intelectuais de Portugal e Espanha durante o século XIX.

Mas o século XX não deu espaço para este debate… Duas Guerras Mundiais, Guerra civil de Espanha, ataque dos Estados Unidos e da Nato para destruir a Jugoslávia, etc., etc.

Nunca gostei de avaliar e dar notas a problemas e orientações políticas de outros países. Porque também não gosto que outros se metam na nossa vida.

A situação da Catalunha, abandonando desde há anos o indispensável diálogo e perdendo a oportunidade para discutir com TODAS as COMUNIDADES a possível viabilidade da Federação, tinha de conduzir a um beco de difícil saída.

É pena que a capacidade política de criar unidades e alternativas julgadas impossíveis não tivesse aparecido neste conflito.

Alguns exemplos: Tito criando a Jugoslávia, Ataturk expulsando os sultões e construindo uma Turquia laica e moderna, Dimitrov e as Frentes anti-nazi-fascistas, Chu-en-Lai com a organização mundial dos Países não alinhados… Mandela e o fim do apartheid, etc. etc…

Convém estudar e não esquecer as lições da História.

Ilustração: Representação da rendição de Granada. Pintura de Francisco Pradilla Ortiz, 1882.

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