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Domingo, Outubro 17, 2021

Eles não usam Black-tie

Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e jornalista do site Radio Peão Brasil. Escreveu o livro "O mundo do trabalho no cinema", editou o livro de fotos "Arte de Rua" e, em 2017, a revista sobre os 100 anos da Greve Geral de 1917

A greve dos metalúrgicos de 1979, no filme de Leo Hirszman

Além de seu valor artístico e estético, o filme registra, através da história fictícia sobre a relação entre o operário e líder sindical Otávio e seu filho, o jovem operário Tião, a vida operária e a ocorrência da greve dos metalúrgicos de São Paulo em 1979, no período final da ditadura militar no Brasil (1964/1985).

O momento era apropriado. O Brasil vivia as grandes greves operárias do final da década de 1970, que colocaram em xeque o projeto de abertura controlada da ditadura militar. O novo protagonismo operário foi fundamental para a derrota da ditadura.

O filme é baseado na peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri, que havia estreado no Teatro de Arena, em São Paulo, em 1958. Mas a luta operária, que muda de acordo com as circunstâncias históricas de cada época, permanece a mesma em seus traços essenciais, e reproduz contradições semelhantes.

O tema de Eles Não Usam Black-tie é a luta de classes, a exploração da mão de obra e a velha contradição entre o capital e o trabalho, mostrando vidas em que o trabalho pesado e o dinheiro escasso dão base para a história. E também a contradição que existe na luta operária; no filme, por exemplo, ela gira em torno da relação entre o operário, dirigente sindical e líder grevista Otávio, e seu filho, o jovem operário Tião. Um fura-greves submetido à lógica patronal.

Eles não usam Black-tie

País: Brasil, 1981

Direção: Leo Hirszman
Elenco: Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Carlos Alberto Riccelli, Bete Mendes

Do livro “O mundo do Trabalho no cinema”, publicado por Centro de Memória Sindical


Texto em português do Brasil

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