Diário
Director

Independente
João de Sousa

Segunda-feira, Maio 23, 2022

Ella Fitzgerald: A primeira dama do jazz

José Alberto Pereira
José Alberto Pereira
Professor Universitário, Formador Consultor e Mestre em Gestão

A ligação de Ella à editora Verve passa por inúmeros discos ao vivo (cerca de 40-45 semanas no ano eram passadas em tournée) e ainda pelos três discos editados em parceria com Louis Armstrong (“Ella and Louis”, “Ella and Louis Again” e “Porgy and Bess”). Armstrong foi uma das mais famosas colaborações de Ella, entre as dezenas que a cantora teve ao longo da sua carreira.

Ella Fitzgerald com Louis Armstrong

As outras colaborações musicais determinantes na carreira de Ella foram com Count Basie (com cuja banda Ella retornou ao swing, de forma muito aclamada pelo público e pela crítica), com Duke Ellington (com quem gravou dois álbuns ao vivo e dois álbuns de estúdio, sendo um deles o songbook) e com Joe Pass (guitarrista com que gravou quatro álbuns, já na fase final da sua carreira). Mas a colaboração sempre adiada e nunca concretizada foi com Frank Sinatra, em cujo programa de televisão Ella participou diversas vezes.

Com Norman Grantz e a Verve, Ella Fitzgerald tornou-se uma das maiores intérpretes do jazz vocal. Com a venda da editora à MGM o seu contrato não foi renovado. Assim, durante cinco anos, gravou para diversos selos, como a Atlantic, a Capitol e a Reprise. Os seus trabalhos para estas editoras afastam-se um pouco dos contornos habituais, incluindo hinos, temas de Natal e temas country. Quem não parou durante estes anos foi Norman Grantz que, inconformado, não descansou enquanto não criou a Pablo Records. Com a Pablo Ella gravou a maioria dos seus derradeiros trabalhos, tendo-se assistido ao crepúsculo das suas faculdades, nomeadamente o fraseado mais curto e seca, a voz mais áspera e o vibrato mais espaçado.

A sua discografia pessoal conta 83 álbuns, incluindo 52 de estúdio e 23 ao vivo. Mas em colaborações e compilações o nome de Ella surge em mais de 200 títulos, nos quais participam centenas de outros músicos. Ella possui ainda 3 álbuns de tributos (todos post-mortem) e uma carreira cinematográfica com participação em 4 filmes. As suas presenças na televisão eram frequentes, tendo participado em programas de inúmeros músicos e produtores musicais como Pat Boone, Dean Martin, Mel Tormé e Sinatra.

Ella foi agraciada com 40 prémios ao longo da sua carreira, nos quais se incluem duas menções presidenciais (uma de Ronald Reagan e outra de George Bush) e 14 Grammys (um deles o Live Achievment de 1967). O seu derradeiro Grammy foi alcançado com o último trabalho que gravou em 1990, sintomaticamente denominado “All That Jazz”. Com o avançar da diabetes, Ella abandonou as atuações ao vivo em 1993 e faleceu na sua casa de Beverly Hills, em 15 de Junho de 1996.

Dona da mais relevante carreira feminina da história do jazz, possuindo extraordinários dotes vocais e senhora de uma genialidade e virtuosismo musicais únicos, Ella foi uma referência incontornável para as gerações seguintes de cantores de jazz. Humilde como só os grandiosos sabem ser, catapultou o scat para a ribalta do jazz e aproveitou a voz de uma forma surpreendente, tornando-a mais um instrumento ao serviço da melodia. Mel Tormé chamou-lhe a Grande Sacerdotisa da canção. Mas no fundo Ella foi sempre a menina tímida de Yonkers que, tal como ela dizia, cantava como sentia.

Vídeos

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante  subscrevendo a Newsletter do Jornal Tornado. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -