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Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

Ecologistas defendem encerramento imediato de Almaraz

Central Nuclear de Almaraz, localizada na Extremadura Espanhola

De acordo com a informação revelada esta quinta-feira pelo Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol, a Central Nuclear de Almaraz usa peças produzidas numa fábrica com irregularidades nos “dossiers” de controlo de qualidade. A Quercus já reagiu e diz que “este é mais um sinal claro da fragilidade e do potencial perigo da estrutura”.

“Perante os sucessivos problemas técnicos e de segurança detectados, é fundamental que a mesma encerre imediatamente e sejam tomadas todas as medidas no sentido de colocar em marcha um plano de desmantelamento da estrutura e descontaminação do local”, defende a associação ambientalista em comunicado.

As peças com irregularidades foram usadas para fabricar os geradores de vapor 2 e 3 da unidade 1 e o gerador de vapor 3 da unidade 2 da Central. Está ainda em causa o rebordo da tampa do reactor da unidade 2 da Central de Almaraz, mesmo assim o CSN diz que os componentes afectados podem continuar a funcionar sem restrições.

Incidentes regulares

Recorde-se que já em Fevereiro deste ano, foram detectadas duas avarias nos motores das bombas de água, assim como levantadas dúvidas no eficiente funcionamento do sistema de arrefecimento da Central. Outros incidentes têm sido reportados ao longo dos anos, e a Quercus salienta que “já foram medidos níveis de radioactividade superiores ao permitido”.

Várias associações ecologistas têm alertado para o perigo de Portugal poder vir a ser afectado caso ocorra um acidente grave. Uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo pode haver contaminação das águas, assim como contaminação atmosférica pela proximidade geográfica.

“Portugal não revela estar minimamente preparado para lidar com um cenário deste tipo, pelo que a acontecer um acidente grave, isso traria certamente sérios impactes imediatos para toda a zona fronteiriça, em especial para os distritos de Castelo Branco e Portalegre”, acrescenta o comunicado.

Ao lembrar incidentes, como os ocorridos em Maio de 2008, que obrigou à evacuação do pessoal do recinto de contenção e onde foram libertados cerca de 30 mil litros de água radioactiva, a Quercus frisa a urgência de se proceder ao encerramento imediato desta Central, que ultrapassou já o seu período normal de vida. Também o partido ecologista “Os Verdes” se junta ao protesto e exige a paragem imediata da central.

A central nuclear de Almaraz, a mais antiga de Espanha a laborar desde 1980, já devia ter sido desmantelada há cinco anos. O Executivo espanhol decidiu prolongar-lhe a vida até 2020 e as empresas accionistas (entre elas Endesa, Iberdrola e Unión Fenosa) querem ir mais longe e reivindicam a licença para além de 2050.

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