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Quarta-feira, Dezembro 8, 2021

Equador de Lenín tem primeira governadora indígena

Em 27 de junho Lenín Moreno, o presidente eleito no Equador, apresentou no Palácio de Carandolet os novos governadores das províncias equatorianas. Entre eles aparece a primeira mulher indígena a se tornar governadora: Paolina Vercoutére Quinche.

Filha de pai francês e mãe indígena Paolina, que é da etnia Kichwa, será governadora de Imbabura, uma das províncias mais importantes do norte do país. É uma mulher bastante influente, tendo sido diretora do Ministério de Inclusão Econômica e Social, uma representação respeitável devido a sua trajetória marcada pelo estudo e luta social. Paolina é a única indígena, mas mais cinco mulheres foram nomeadas.

Entre os novos governadores designados por Lenín Moreno cabe ressaltar que alguns foram ex-funcionários do anterior presidente Correa. Percebe-se que ainda com poucos meses no governo, Lenín tenta se aproximar dos laços que foram cortados por Correa, abrindo diálogos com os indígenas, militares e alguns políticos. Também se disponibilizou a dialogar com os prefeitos da oposição em Guayaquil (Jaime Nebot) e Quito (Mauricio Rodas), convidando-os a trabalhar em conjunto. Um convite paradoxal, mas parte da forma de “fazer política” tradicional, da harmonia entre projetos sociais aparentemente distintos. Contudo, é de suma importância sair do debate das frações de classe e falar da formação da população no Equador que espera-se que este homens e mulheres, agora governadoras, se atentem.

No Equador os afro equatorianos autodeclarados compõem 15% da população total do país, por volta de 15 milhões de habitantes . Assim como em outros países da América Latina, a população negra no Equador enfrenta desafios como os altos níveis de pobreza, marginalização e exclusão, tanto que é praticamente impossível saber quantas mulheres e homens negros existem nas Universidades ou em outros espaços de debate. O movimento mais conhecido e organizado no país é o Monume (Movimento de Mulheres Negras da Fronteira Norte de Esmeraldas). Cabe ressaltar que a partir deste movimento das mulheres afro equatorianas do Norte foi realizado um Congresso em 1999 numa tentativa de visibilizar a luta de todas as mulheres negras no Equador, e não apenas daquelas que vivem no Norte de Esmeraldas, apesar de ser este o local onde vive a maioria.

A Conamune (3) tem o intuito de unir as mulheres negras na promoção de direitos e de cidadania. Segundo o censo de 2014 realizado pelo INEC (4), do total de afro equatorianos já mencionados apenas 1% acederam ao Curso Superior em 2010 (8440 equatorianos na Graduação e na Pós Graduação, sendo 458 afro equatorianos).

Das declarações da Coordenação de Mulheres Negras no Equador publicadas em 2008 – apoiadas por movimentos de mulheres afro de várias regiões do país – o que se vê é uma exigência de revisão das políticas de educação formal e do reconhecimento e valorização da educação não formal. Efetivando reparações históricas por meio de políticas públicas (cotas, inclusão da Etno-educação na matriz curricular), ou seja, acesso, regularização, ampliação e permanência da participação destas mulheres em todos os setores da sociedade. Dado este ponto, observa-se que se abre uma luta para que as mulheres negras também estejam no governo. É certo que elas devem estar em todos os espaços, bem como os homens negros e todos aqueles que continuam desvalidos, em suas diversas formas de opressão nesta sociedade.

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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