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Sábado, Outubro 23, 2021

Procurador-geral, Jeff Sessions, faz obstrução à Justiça

Nélson Abreu, em Los Angeles
Engenheiro electrotécnico e educador sobre ciência e consciência. Descendente de Goa, nasceu em Portugal, e reside em Los Angeles.

Na semana passada vimos Jeff Sessions a recusar cooperar com a investigação sobre a influência da Russia nas eleições norte-americanas. Admitiu que existe consenso na comunidade dos serviços secretos, mas que nem o Presidente Trump nem ele levantaram um dedo sobre o tema.

Vemos no entanto que Sessions quer punir a posse de marijuana, apesar dela ser legalizada em vários estados. Ele quer repor práticas jurídicas que afectam as comunidades de cor de forma desproporcional e dificultam a participação na democracia. No entanto, vale lembrar que fomos avisados.

A Senadora Elizabeth Warren foi censurada em Fevereiro – mês que celebra a história dos Afro-Americanos nos EUA – no Senado Norte-Americano ao argumentar contra a nomeação de Jeff Sessions como procurador-geral dos Estados Unidos.

De repente, o líder da maioria do Senado, o republicano Mitch McConnell, interrompeu o seu discurso e passou a pedir ao presidente do Senado para aplicar a velha e pouco invocada “regra 19” que proíbe a difamação de outros senadores. Warren não só teve que manter o silêncio, mas também foi proibida de continuar a pronunciar-se na câmara sobre a nomeação de Sessions.

Carta escrita há 30 anos, actual

A senadora democrata foi interrompida enquanto lia uma carta escrita há 30 anos por Coretta Scott King, viúva de Martin Luther King Jr, e grande líder dos direitos humanos. A leitura da carta foi interrompida em pleno mês da historia negra (Black History Month), menos de um mês após o feriado nacional de Martin Luther King, Jr. Em 1986, Scott King escreveu uma carta de oposição à indicação de Sessions como um juiz federal pelo então presidente dos EUA, Ronald Reagan. Sessions foi acusado de agir contra os direitos civis dos afro-americanos em funções como procurador no estado do Alabama.

A carta diz que Sessions “não tem nem temperamento nem o discernimento para ser juiz federal imparcial”, e acusa-o de usar “poderes impressionantes do seu escritório para tentar intimidar e assustar os eleitores negros idosos.”

Sessions negou estas e outras acusações de racismo ao longo de sua carreira. No entanto, naquela época, o Senado rejeitou a nomeação de Sessions depois de antigos colegas revelaram que ele havia afirmado que o grupo terrorista doméstico de supremacia racial Ku Klux Klan (KKK) parecia bom até que ele descobriu que eles queriam “fumar maconha”.

A censura de Warren causou uma tempestade nas redes sociais, o que acabou por amplificar a sua mensagem.

Os senadores Merkley, Udall, Brown e Sanders acabaram por ler a carta em protesto e apoio a Warren, que continua sem poder participar do debate. Após 30 anos, as palavras de Scott King retornaram ao Senado.

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