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Segunda-feira, Dezembro 5, 2022

Escola de Música do Conservatório Nacional volta a ter esperança

emcn

A Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN) espera para 2017 as obras de intervenção há tanto tempo solicitadas. A directora, Ana Mafalda Pernão, reuniu-se em meados deste mês com a Secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, para falar sobre um programa de recuperação e requalificação do Convento dos Caetanos, onde se situa a Escola.

Ao Tornado, Ana Mafalda Pernão revelou que, durante a reunião, ficou determinado que “qualquer alteração ao até agora proposto (requalificação do edifício para manter as duas escolas, dança e música, no edifício) teria que passar por novo estudo e, consequentemente, uma maior demora no processo”.

Também “o programa pensado está de acordo com o que as escolas pretendiam, embora pela nossa parte (Escola de Música) fique sempre por concretizar a construção de um auditório, tal como foi feito em todos os edifício dos conservatórios já requalificados, e em qualquer escola de música. As artes performativas a isso obrigam, pois o seu trabalho passa por colocar os alunos em situação real de performance”, defendeu a responsável.

A directora assume que “o programa deveria ser mais completo”, mas isso poderá acontecer “quando no edifício ficar apenas esta escola”. Mesmo assim, disse à Agência Lusa sair “satisfeita” da reunião, “por perceber que a tutela tem consciência dos problemas das escolas”.

Ana Mafalda Pernão dissera que a EMCN “não aguenta mais do que um inverno” e aponta o final do ano lectivo de 2017 como prazo máximo para início das obras de recuperação porque se prende com a necessidade de concursos, projectos de execução e concurso de empreitada.

“Não é possível realizar tudo isto em menos tempo. Por outro lado, à Escola não interessa fazer uma mudança para um espaço transitório, enquanto dura a obra, a meio do ano lectivo”, explica a responsável, que lembra que a mudança será complicada “porque há muitos instrumentos para serem transportados”. Só pianos são 58. “Há também arquivo com 180 anos e muita documentação, o que implicará uma mudança demorada”.

Ana Mafalda Pernão diz que o prazo por si indicado parece razoável tanto para os projectos como para as mudanças, fazendo votos para que tudo corra sem contratempos e que a Escola organize o seu ano sem problemas.

Sobre a transferência, ainda que temporária, das escolas de música e de dança para outros locais enquanto o Convento dos Caetanos estiver em obras, a directora da Escola de Música não elege um espaço ideal: “isso dependerá dos espaços disponíveis, que, naturalmente, terão de ter condições acústicas mínimas e espaços suficientes para albergar as cerca de 60 salas de aula, refeitório, sala de educação física e biblioteca. Terão ainda de possibilitar apresentações públicas, tal como fazemos neste nosso espaço”, declarou.

Recentemente, a EMCN levou a cabo a iniciativa “Os Dias do Conservatório”, uma série de concertos abertos ao público. A directora considerou o evento “um grande encontro entre os seus alunos e familiares, uma boa possibilidade de apresentação do nosso trabalho para a comunidade escolar e para quem quis ver o que melhor fazemos”.

Salientou a visita do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que assistiu a um dos concertos onde actuaram cantores do Atelier de Ópera e a orquestra do Atelier Musical, constituída por alunos de 10 e 11 anos. “É um projecto que se realizou pelo segundo ano consecutivo, e que permite um cruzamento de saberes, para além de uma troca humana muito interessante.

Há um contacto artístico dos que iniciam com os que estão a concluir o seu curso”, enfatiza a directora. Ana Mafalda Pernão recordou ainda a iniciativa “2 Poetas, 2 Compositores”, com recolha de apoios para a instituição.

“Foi um momento muito emocionante, pois decorreu no Teatro D. Maria II com o apoio do mesmo, e reuniu muitas personalidades da cultura nacional em prol da nossa escola. Penso que nessa noite, com um espectáculo de música e poesia portuguesa, todos saímos mais ricos”, frisa a directora da Escola.

Sobre se planeiam mais iniciativas semelhantes para recolha de fundos, Ana Mafalda Pernão afasta para já concertos para recolha de verbas para as obras, “pois as mesmas serão desenvolvidas no âmbito da Parque Escolar, e o seu orçamento não tem qualquer relação significativa com os montantes que vamos conseguindo angariar. No entanto, servirão certamente para colmatar a redução orçamental de que fomos vítimas nestes dois últimos anos, a qual nos cortou 50% o orçamento que possuíamos há mais de dez anos”, explicou.

Para este ano, ainda não é conhecido o orçamento para a EMCN, e a directora assume recear que não se consiga fazer face a um conjunto de despesas inerentes a uma escola artística, como “afinação dos pianos e manutenção dos instrumentos de corda, órgãos de tubos, cravos, harpas, etc., assim como a substituição de alguns instrumentos que vão ficando estragados pelo próprio uso”, explica a responsável.

Conheça um pouco da Escola, por dentro.

 

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