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Domingo, Fevereiro 25, 2024

Porque escolhemos maus dirigentes

Carlos Narciso
Carlos Narciso
Jornalista

isaltino

 

Ou então, vivemos numa sociedade onde muitos de nós adoptaram valores errados (do meu ponto de vista) que, como consequência, levam à eleição de gente desonesta ou impreparada. Como explicar os sucessos eleitorais de tantos autarcas e a impunidade em que vivem mesmo depois de indiciados ou até mesmo condenados por crimes de corrupção?

Há dias li algures que havia a possibilidade de Isaltino de Morais voltar a candidatar-se à autarquia de Oeiras, que o PSD estaria a pensar em apoiar essa candidatura.

Acho isto espantoso, apesar de Isaltino ter direito a refazer a vida depois de cumprida a pena de prisão a que foi condenado por actos de corrupção, não aceito que se possa branquear um passado desonesto desta maneira.

Se Isaltino fosse trabalhar para a Goldman Sachs acharia muito bem, mas para a Câmara de Oeiras já acho um atrevimento e será uma vergonha se, porventura, for eleito.

Uma sociedade sã não deve compadecer com este tipo de actuações e não devia aceitar correr os mesmos riscos sucessivamente.

Valorizar o chico-espertismo que leva determinado tipo de pessoas a meter a mão no bolso de todos nós é algo que não consigo entender. Quem rouba ou quem gere danosamente os dinheiros públicos não devia ter perdão.

Num país onde tanta gente passa necessidades, onde as reformas são tão baixas, onde muitas escolas e hospitais prestam mau serviço por falta de equipamentos ou de pessoal, aceitar que os recursos públicos sejam desviados ou mal utilizados é pactuar com um crime praticado contra todos nós.

Mas o que muitos fazem é considerar que determinado dirigente político “roubou mas deixou obra”, e isso basta para que voltem a votar nele.

A acção política não deve ser nivelada por baixo, não podemos considerar este menos mau só porque houve outro pior. Devemos procurar os melhores exemplos, aqueles que possam servir de referência e dos quais nos possamos orgulhar. Se gente dessa estirpe não aparece, vamos procurá-los porque eles existem.

Combater a desilusão ajuda a manter e esperança numa vida melhor. Se esse combate fosse eficaz, iria aumentar o número de pessoas com vontade de votar, com vontade de contribuir para o futuro colectivo… não só em Portugal como em todos os outros países onde se realizam eleições democráticas e livres…

Se a maioria das pessoas votasse com o critério de escolher os melhores de entre os melhores, se toda essa gente votasse em quem os pudesse realmente representar, haveria uma mudança cataclísmica no sistema político… os velhos partidos da desilusão e do situacionismo, que nos controlam pelo medo instintivo frente ao desconhecido, iriam desaparecer e viriam outros, e tudo seria diferente.

Acredito nisto mas não o posso provar, apenas poderei experimentar se houver uma maioria de concidadãos que sintam o mesmo desejo e a mesma necessidade de mudar que eu sinto.

Falta um ano. Há tempo para irmos pensando nisto.

Nota do Director

As opiniões expressas nos artigos de Opinião apenas vinculam os respectivos autores e não reflectem necessariamente os pontos de vista da Redacção ou do Jornal.

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