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Terça-feira, Julho 5, 2022

Estudantes portugueses insultados e agredidos na Polónia

A notícia é avançada pelo Portal de Notícias de Rzeszow, citado por vários órgãos de comunicação social portugueses, e adianta que um dos 15 estudantes a estudar em Rzeszow, uma pequena cidade a 300 quilómetros a sul da capital, Varsóvia, foi mesmo alvo de violência física, numa saída nocturna, a 9 de Abril. Nessa noite, alguns dos estudantes decidiram sair à noite e foram abordados por um homem que chamou «lixo» a um dos rapazes e lhe puxou pela roupa e pelo cabelo.

Stanislaw Augustine, um dos professores responsáveis pelo acolhimento dos portugueses denunciou o caso às autoridades polacas, que, entretanto, já identificaram o agressor. Trata-se de um militar, de 38 anos, com 11 anos de experiência nas forças armadas e que já cumpriu uma missão no Afeganistão.

Estudantes realojados e protegidos por seguranças privados

De acordo com a polícia de segurança pública da Polónia, os estudantes, alguns dos quais bastante morenos, terão sido confundidos com muçulmanos. Embora desvalorizado pela Secretaria de Estado das Comunidades, que disse ao Público tratar-se de um «caso isolado», os estudantes já terão sido insultados várias vezes, o que terá motivado, inclusive, a mudança de local de alojamento.

Stanislaw Augustine, temendo pela sua segurança, retirou-os do hostel onde estavam alojados e mudou-os para uma casa dos arredores da cidade, contratando, inclusive, seguranças privados para a sua protecção. Durante a sua estadia, os estudantes têm sido insultados em inglês e em polaco nas ruas, nos autocarros, nas lojas e nos mercados, e sido alvo de gestos obscenos.

«Como polaco, tenho vergonha que cidadãos de outros países sejam alvo directo de comentários racistas», lamentou Augustine, citado pelo Público. «Os estudantes polacos estiveram em Portugal e foram recebidos de forma calorosa, pensada, gentil e amigável. Os estudantes portugueses vêm cá e acontecem estas coisas», desabafou.

 

Embaixada acusada de passividade

O caso foi levado ao consulado de Portugal na Polónia, que terá desvalorizado os incidentes. Um empresário português há 21 anos na Polónia criticou, ao JN, «a passividade da embaixada de Portugal» perante a situação. «Foram informados e não fizeram rigorosamente nada», acusou, sublinhando que «foi o professor polaco que teve de trocar-lhes a residência e que está agora a pagar do bolso dele a uma empresa de segurança, até 15 de Maio, para tomar conta dos miúdos».

Recorde-se que o partido anti-europeu e xenófobo Lei e Justiça, liderado por Jaroslaw Kaczynski, irmão gémeo do ex-presidente Lech Kaczynski, ganhou as eleições legislativas no ano passado. Durante a campanha eleitoral, Kaczynski defendeu que os refugiados atentavam contra o estilo de vida polaco e defendeu que deveriam ser submetidos a inspecções, pois podem transportar «doenças e parasitas» perigosos para a Europa.

O Governo polaco esteve também envolvido numa acesa polémica devido a uma lei que permite ao Executivo imiscuir-se nos meios de comunicação social daquele país.

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