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Domingo, Outubro 24, 2021

Movimento cívico quer Donald Trump fora das eleições

trump
“Stop Hate, Dump Trump” (“Parem com O Ódio, Deitem Trump Fora”) é um movimento de sindicalistas, actores, activistas, professores e outros cidadãos dos EUA, que se opõem ao milionário Donald Trump, aspirante a ser o próximo presidente da nação pelo Partido Republicano.

A propósito deste novo movimento, o site Democracy Now falou com Kimberlé Crenshaw (docente de Direito, universitária e fundadora da African American Policy Forum), Scott Horton, advogado de direitos humanos e David Cay Johnston, jornalista de investigação vencedor do Prémio Pulitzer.

Crenshaw mostra-se preocupada com o apelo aos estereótipos raciais negativos utilizados por Trump na sua campanha, o que leva ao endurecer do discurso político.

E aponta o dedo à cultura mediática dos EUA, onde os media corporativos preferem audiências elevadas aos papéis tradicionais atribuídos ao jornalismo, encorajando desta forma o milionário Trump a ferir mais sensibilidades.

Por sua vez, Scott Horton considera que o saber usar o poder de forma agressiva demonstra “o brilhantismo da táctica de Trump”.

Ao entender o quão impopular se tornou a liderança do Partido Republicano, ele utiliza alguns assuntos (como o assunto dos atentados de 11 de Setembro) “sabendo que a liderança do partido vai apoiá-lo, e estão errados, são insustentáveis. E ele ficará sozinho no palco a assumir esse ponto de vista, o que corresponde a uma jogada muito inteligente”, acrescenta o convidado.

Tendo seguido a carreira do milionário Trump por muitos anos, o repórter Cay Johnston não se mostrou surpreendido pela popularidade do magnata.

“Antes dele anunciar formalmente a candidatura, e ao contrário de quase todos os jornalistas, eu disse que ele estava a falar a sério e que poderia conquistar a nomeação. E também acho que ele poderia não ser eleito presidente”, lembrou, acrescentando que o facto dele se tornar o candidato republicano à Casa Branca “vai ser o fim do Partido como o conhecemos. As tensões internas no Partido estão a dividi-lo, e Trump está a explorá-las em seu benefício próprio”.

Mencionando a cobertura mediática em torno do milionário, Johnston diz-se “surpreendido” pelo facto dos jornalistas não serem “duros de todo” com ele. O jornalista recorda alguns assuntos mais inconvenientes sobre a vida e negócios do apresentador do reality show “The Apprentice”: o facto de um dos pilotos de helicópteros que trabalhou para ele traficar droga, os problemas de pagamento a empregados, como ele fez campanha nas ruas.

Crenshaw concordou com o repórter: “O que é mais perturbador é que os media não lhe fizeram as perguntas difíceis, não levaram a sério algumas das mais escandalosas coisas que ele disse”, acrescentando que dias depois das graves declarações contra os muçulmanos, Trump era convidado para vários programas televisivos de audiência nacional como se nada se tivesse passado.

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