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Sexta-feira, Julho 19, 2024

EUA pagarão pela impiedade populista de Biden

Tereza Cruvinel, em Brasília
Tereza Cruvinel, em Brasília
Jornalista, actualmente colunista do Jornal do Brasil. Foi colunista política do Brasil 247 e comentarista política da RedeTV. Ex-presidente da TV Brasil, ex-colunista de O Globo e Correio Braziliense.

Os Estados Unidos garantiram ontem, em dois momentos, o prosseguimento do genocídio perpetrado por Israel contra o povo palestino. Em Nova York, os Estados Unidos vetaram a proposta de resolução brasileira, que trazia alívio humanitário para quem sofre e morre em Gaza, apesar de 12 países terem votado a favor. Enquanto isso, em Tel Aviv, Biden abraçava por inteiro a posição israelense, garantindo apoio político e militar, de olho em seus baixos índices eleitorais. Mas haverá custos. As duas decisões poderão levar ao alastramento do conflito e já produzem uma revolta ampla no mundo árabe contra os Estados Unidos, a exemplo da tentativa de ataque à embaixada americana em Beirute, na manhã desta quarta-feira, duramente reprimida pelo governo local.

E haverá também custos internos, inclusive eleitorais. Se a opção de Biden pelo massacre de Gaza lhe rendeu simpatias  mesmo entre republicanos, analistas americanos dizem que alas progressistas de seu partido, o Democrata, devem engrossar as resistências à candidatura dele à reeleição. Biden está rasgando aquele discurso humanista que gosta de fazer, e que fez ontem ao lado de Netanyahu, exaltando a dor dos israelenses, indiferente ao horror sofrido pelos palestinos. O mundo inteiro assistiu a uma cena de perversidade populista.

Os Estados Unidos não aprenderam nada com o 11 de Setembro. Pelo contrário, agora atraem como nunca o ressentimento árabe, e isso terá consequências. Biden resolveu correr o risco.

Haverá quem diga, aqui, que o Brasil foi derrotado no Conselho de Segurança. Não foi isso. O Brasil fez um esforço enorme para garantir uma saída para a emergência humanitária e teve o apoio da maioria dos países com assento no colegiado. Saiu frustrado, como disse o embaixador Sergio Danese, mas não derrotado. O que houve ali foi o abuso de seu poder de veto pelos Estados Unidos, numa evidência do quanto  é urgente reformar aquele Conselho.


Texto original em português do Brasil

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