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Domingo, Outubro 24, 2021

Falência da política externa dos EUA sob Biden

Lejeune Mirhan
Sociólogo, professor, escritor e arabista. É também comentarista Internacional, ensaísta e autor de 17 livros, como: Iraque: Relatos de uma ocupação (2003-2007), lançado em 2021; Marx, para principiantes, lançado em 2020 e Palestina: história, sionismo e suas perspectivas, lançado em 2019 (os três publicados pela Apparte Editora)

Parte II.

No dia 20 de agosto, o presidente democrata Joe Biden completou sete meses de governo, em torno de 210 dias. Havia várias questões estratégicas da política externa de seu novo governo, que os analistas políticos internacionais imaginavam que haveria mudanças profundas, substanciais. Não é o que estamos vendo. Pretendo neste ensaio dissertar sobre esses problemas principais, analisando ao final os rumos gerais e as perspectivas. Ao final, apresento um resumo sistematizado dessa política externa.

Problemas pontuais da política externa

A partir deste momento em nosso trabalho, quero apontar concretamente problemas em várias áreas na política externa dos Estados Unidos, sob a nova gestão de Joe Biden, envolvendo temas em todos os cinco continentes e regiões importantes na Terra.

Oriente Médio

Vou discorrer sobre três aspectos do Oriente Médio expandido: Mundo Árabe, Irã, Turquia, Afeganistão. Tudo faz parte da Ásia que, na Bíblia, era chamado de Ásia Menor. O primeiro problema que se arrasta desde 1948, é de Israel contra os palestinos, este é o termo correto, é o opressor contra o oprimido. Explicação sobre o contexto histórico Israel-Palestina.

O sentimento de antissemitismo deflagrado na Alemanha, a partir de Hitler, criou as bases para um movimento sionista que pregava a “fuga para a Palestina”. Quando fizeram o primeiro censo na Palestina no começo do século XX, não eram mais de 5% os judeus que lá moravam. Quando fizeram um novo censo em 1947, eles já eram mais 40%. Eram pessoas que não nasceram e nem nunca moraram lá, e que não tinham nenhum vínculo. O único ‘vínculo’ era aquela história bíblica supostamente ocorrida 2,5 mil anos atrás. Mas, não é assim que se mostra que são donos da terra. Donos são os que moram e ocupam, tomam conta, plantam e constroem. Trata-se, então, de um conflito desigual, de Israel contra o povo palestino.

Biden não fez nada até agora. Em sete meses ainda não disse a que veio. Para não dizer que não fez nada, quando houve os 11 dias em que o Hamas e a resistência palestina se enfrentaram Israel em maio passado, Israel respondeu com bombas em Gaza, o presidente dos EUA mandou para Israel o secretário de Estado que é uma espécie de ministro das Relações Exteriores, Antony Blinken conversar com o ex-primeiro-ministro Netanyahu e com a sua oposição, assim como falou com Mahmud Abbas da ANP.

Em reunião com a oposição à Nethanyahu deve ter dito que Biden não apoiava Netanyahu em sua reeleição. E deve ter dito à oposição – que tentava formar governo para derrubar o anterior –  que Biden via com bons olhos a formação de um novo governo. Esse foi o recado que Blinken mandou de Biden. Isto foi positivo, porque acabou a era Netanyahu. Não quer dizer que melhorou. Para os palestinos não mudou nada. Mas, foi positivo interromper os governos seguidos do ex-primeiro-ministro. Era preciso encerrar aquela era.

Mas, na essência, quais foram os presidentes dos Estados Unidos que fizeram alguma coisa em favor dos palestinos de 1948? Apenas Jimmy Carter, que mencionei acima e Bill Clinton. Carter, em 1979, promoveu um acordo de paz entre Egito e Israel, determinando que este devolvesse todas as terras tomada em 1967.

O Partido Likud venceu pela primeira vez as eleições em 1977, desde 1947, quando Israel foi governada pelo Partido Trabalhista, conhecido pelo termo inglês como Labor. Foi então, que os Estados Unidos colocaram os dois para conversar sobre a paz e eles chegaram ao Acordo, denominado de Camp David e Israel devolveu o Sinai ao Egito, bem como outras terras à Jordânia e foi selada a paz. Ambos ganharam o Nobel da Paz pela iniciativa.

O segundo acordo foi promovido por Bill Clinton, em setembro de 1993. Foi o Acordo de Oslo. Esse foi um acordo de paz assinado na Casa Branca por Yasser Arafat (OLP) e Yitzhak Rabin, do Partido Trabalhista, que tinha voltado ao governo. Rabin foi assassinado dois anos depois por um judeu fundamentalista. Onze anos depois também assassinaram Arafat. Sua morte foi dada como natural, mas foi envenenado, em 2004. Esses dois presidentes foram os únicos que, de 1948 para cá, usaram o poder dos EUA para tentar a paz entre os dois povos.

Donald Trump até ensaiou algo, mas de forma absolutamente unilateral. Em janeiro de 2020 ele anunciou o chamado Acordo do Século. Ao lado dele estava Netanyahu então primeiro-Ministro de Israel e do outro lado, não tinha ninguém. Os palestinos não conheciam uma linha sequer do tal acordo. Ele não foi o acordo do século, porque foi devidamente enterrado.

Trump, mesmo sendo um fascista, tentou mostrar para o mundo que estava empenhado na solução do conflito na Palestina. Bush Filho também fez uma tentativa. Mas, de Biden não vimos nenhuma iniciativa concreta até agora para instalação de uma mesa para processos de paz.

Irã

O Irã é o segundo maior problema, depois de Cuba. Muitos analistas internacionais diziam, e eu estou entre esses que diziam que, muito provavelmente, os Estados Unidos voltariam para o Acordo Nuclear com o Irã, que tem a sigla inglesa JCPOA (The Joint Comprehensive Plan of Action) ou Plano de Ação Conjunto Global, para que o Irã abrisse o país para inspeção nuclear.

Os Estados Unidos, que se consideram donos do mundo, pressionam o Irã contra seu programa nuclear e cedem a Israel que insiste em dizer que o Irã está fazendo uma bomba. O acordo assinado em 2015 foi construído quando era secretário de Estado John Kerry, e era presidente Barak Obama, que tinha Biden como vice.

Kerry é hoje o secretário de Meio Ambiente de Biden. Portanto, todos diziam que Biden voltaria ao acordo deixado por Trump em 2017. Biden até agora não voltou, por pressão de Israel, que não aceita este retorno. Isto cria um tensionamento na região e não sabemos que prejuízos podem ocorrer.

No meio desta confusão, um petroleiro de bandeira liberiana, de propriedade de um israelense – sendo que a propriedade é uma coisa e onde o navio está registrado é outra – sofreu um ataque no Golfo de Omã, Mar da Arábia, perto do Golfo Pérsico próximo do Estreito de Ormuz, uma das regiões mais movimentadas do mundo, por onde passa 1/3 do petróleo mundial.

Um míssil atingiu o petroleiro, e não se sabe ainda a sua dimensão. Poderia ser um míssil mais simples ou mesmo um drone. Não se sabe quem fez o ataque. Mas, Israel, com seu novo governo, aponta o dedo acusando o Irã de ter atacado o navio. O Irã, por certo, nega.

Pode ter sido um ataque com falsa bandeira (false flag, como se diz em inglês). Isto é feito quando algum grupo terrorista quer incriminar outros. Por isso, eu não descarto esta possibilidade de que, para incriminar e tensionar mais ainda e jogar o mundo contra o Irã, poderia até ter sido Israel e o seu serviço secreto que pode ter perpetrado esse ataque.

Ao Irã é o que menos interesse teria em um incidente desses. Na região há guerrilheiros que atuam no Iêmen, na Síria, no Líbano, Iraque, todos eles têm drones. Hoje é possível comprar drones de 10 mil reais com autonomia de três mil quilômetros, que podem levar uma pequena ogiva.

Israel está ameaçando atacar o Irã em retaliação. Não sabemos se os Estados Unidos aceitarão este tipo de provocação. Eu, particularmente, acho praticamente impossível que Israel cumpra sua bravata de atacar. Porque, não há autonomia suficiente para que seus caças irem e voltarem com segurança e abastecimento de combustível. Não vou entrar em detalhes, mas há vários impedimentos e empecilhos para tal ação.

Sem a ajuda dos EUA, com alguma base da OTAN, um ataque dessa natureza seria muito difícil. E, se isto acontecer, muitos analistas acreditam que seria o cenário para uma terceira guerra mundial. Hoje, por trás do Irã, tem China e Rússia. Então, temos que aguardar para ver qual a reação de John Biden se vai ceder à pressão de Israel para que ele não volte ao acordo ou se vai dar apoio ao ataque pretendido por Israel.

Retirada das tropas do Oriente Médio

Na região da Ásia está ocorrendo a desocupação das tropas estadunidenses, que estão deixando países como Afeganistão, Iraque e Síria, onde ainda têm um pequeno contingente. Desta forma, está havendo uma saída dos Estados Unidos do Oriente Médio, na mesma proporção inversa em que cresce a presença militar russa e a presença econômica da China, que assinou recentemente com o Irã um acordo de cooperação econômica por 25 anos, no valor de meio trilhão de dólares.

O problema é que a saída dos Estados Unidos está produzindo um fenômeno novo que é o crescimento do grupo chamado Talibã, na linguagem pashtun, originalmente significa estudantes. Eles não foram formados no Afeganistão, mas no Paquistão, um país vizinho e ambos são, extremamente muçulmanos.

O Talibã é considerado ideologicamente um movimento fundamentalista de resistência e caráter nacionalista que visa voltar ao poder. Eles são de 1994, tendo governado o Afeganistão num período relativamente longo, de 1996 até 2001, quando saíram do poder depois da ocupação militar pelos Estados Unidos, em decorrência dos ataques às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001.

Os EUA chegaram, com seus aliados, a ter 150 mil soldados no país e gastaram nesse período dois trilhões de dólares e perderam a guerra. E o Talibã agora voltou ao poder com a fuga do “presidente” títere Ashraf Ghani.

Nós devemos torcer para o governo ou para o Talibã?  Eu não torço para nenhum dos lados. Acho que o Talibã tem problemas, apesar de terem mudado um pouco nos últimos 20 anos que ficaram fora do poder, mas do meu ponto de vista, eles ainda são muito obscurantistas. No período em que governaram, as mulheres não podiam estudar, usavam burcas, o que não tem nada a ver com o Islã, mas é um costume muito específico daquela região. Eles destruíram estátuas de Buda, querendo dizer que se não for muçulmano não pode ser mais nada.

A China, para minha surpresa, está tendo relações amistosas com eles. Não sei se no sentido de domesticá-los ou de prevenir infiltrações na pequena fronteira com esse país, justamente na província de Xinjiang, onde tem uma etnia dos Uigures, de maioria muçulmana, de origem turcomena, que Biden está dizendo, usando a surrada questão de que os direitos humanos estariam sendo violados na região.

É preciso dizer que a CIA treinou guerrilheiros fundamentalistas islâmicos, que eram originalmente liderados por Osama Bin Laden, que posteriormente viria a fundar o grupo terrorista chamada Al Qaeda. A CIA treinou esse pessoal em uma operação chamada Ciclone.

Sob a direção do sunita fundamentalista islâmico, Osama Bin Laden, que é saudita, eles fundaram a Al Qaeda apoiados pela CIA e pelos Estados Unidos, quando treinaram mais de 90 mil guerrilheiros para lutar contra a União Soviética que, a pedido do governo afegão, que era de esquerda em 1979, pediu a solidariedade para a URSS.

Eles então, mandaram tropas e acabaram ocupando o Afeganistão por longos dez anos. Alguns autores chamam esse período o Vietnã da União Soviética. Aqueles muçulmanos sempre foram anticomunistas, de extrema-direita, fundamentalistas, treinados pelos EUA .

Ásia

Vou falar da região chamada Ásia, strictu sensu, na região do Oceano Pacífico, chamado de mar do Sul da China. Os Estados Unidos estão intensificando um acordo para um agrupamento de países para os quais usam a sigla QUAD, que envolvem Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália, formando um quadrilátero que procura isolar a China, exatamente no seu mar territorial, onde ela tem total soberania.

Por aquela região do Pacífico passam 40% de toda a marinha mercante do mundo. O maior problema na política externa dos Estados Unidos para a região, é a forma emblemático da sua relação com a ilha de Taiwan, que é chinesa há séculos, um território chinês.

O que aconteceu em Taiwan? O partido chamado Kuomintang, cuja sigla é KMT, que perdeu a guerra civil para os guerrilheiros de Mao Tse Tung, em 1º de outubro de 1949, quando Mao chega em Pequim e proclama a instauração da República Popular da China, que antes se chamava República da China. Mao vence, e esses soldados que eram regulares, porque estavam no poder, fugiram para Taiwan.

Quem os liderava era um general que se dizia nacionalista, mas que apoiava os Estados Unidos. Seu nome era Chiang Kai-Shek que fugiu sem que Mao o impedisse. Ele fugiu com seus seguidores para a Ilha de Taiwan e formou uma base e chamou-a de República da China que tem bandeira e hino nacional, Parlamento e querem a separação da China, que jamais acontecerá.

Quem representava a China nas Nações Unidas era essa tal “República da China”, da ilha de Taiwan. Isso só viria a ser alterado em 1971. Os Estados Unidos deixaram de reconhecer essa “República” em 1979, passando a reconhecer a República Popular da China (13).

A China encara Taiwan como uma província rebelde e eles adotam uma orientação: um só povo com dois sistemas. Funciona assim em Hong Kong que já foi devolvida depois de 155 anos pela Inglaterra, em 1997. Hong Kong é capitalista, mas é governada pela China. E, Taiwan, mais dia, menos dia, voltará para a China continental. Da mesma forma a ex-colônia portuguesa chamada Macau.

O Estreito de Taiwan tem 130 km e é altamente militarizado, com presença dos Estados Unidos, Austrália, especialmente, do Japão e da própria marinha taiwanesa. Os Estados Unidos fornecem grande parte do armamento da ilha que hoje é governada, pela primeira vez, por uma mulher: Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista, que participa de uma coligação chamada Pan Verde, que é independentista, separatista.

No entanto, não há condições políticas para que isto aconteça (14). Não se sabe, evidentemente, se a política externa dos Estados Unidos vai incentivar a separação, o que provocaria um alto grau de tensionamento jamais visto na região. A China jamais aceitará isso.

E, para piorar as coisas, os Estados Unidos venderam nos últimos meses para Taiwan dez bilhões de dólares em armamentos e, nas duas últimas semanas, 700 milhões. Eles usam aqueles blindados de projeção múltipla para colocá-los todos enfileirados na costa taiwanesa, aguardando a eventual chegada da marinha chinesa para recuperar o território.

Então, é uma situação muito tensa. Taiwan só é reconhecida como país e mantem relações diplomáticas formais com apenas 15 países. Um país africano, Essuatíni, o Vaticano, quatro da Ásia – Ilhas Marshal, Nauru, Palau e Tuvalu, e nove países da América do Sul e Latina: Belize, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, São Sebastião e Neves, Santa Lúcia, São Vicente e Paraguai. Estranha a presença da Nicarágua, governada por sandinistas.

Outros 44 países tem alguma relação com Taiwan, mas não é diplomática. Eles chamam esta relação, cuja sigla em inglês é TECRO (Taipei Economic and Cultural Representative Office in the United States) de Escritório de Representação Econômica e Cultural de Taiwan.

O último dos 44, para tensionar mais ainda, é uma das Repúblicas Bálticas, que é a Lituânia, que pediu para instalar um Tecro, ali no seu território, que faz fronteira com a Rússia, que está toda cercada por tropas da OTAN. A China já reagiu, convocando seu embaixador de volta. Poderá vir a romper relações diplomáticas com esse país

Resumo geral por tópicos da política externa dos EUA sob Biden comparativa com Trump

  1.  O que é rigorosamente igual
  •  Missão central dos EUA é a luta para a completa hegemonia mundial;
  • Seguem governando por sanções ilegais, à revelia da ONU;
  • Seguem usando os direitos humanos como forma de interferir nos assuntos internos dos países;

 

  1. O que tem sido diferente

 Tentativa de quebrar a unidade entre Rússia e China;

  • Forte tentativa de contenção da China, com a política do QUAD e apoio total à Taiwan;
  • Tentativa de afastar a Alemanha da Rússia;

 

  1. Aspectos positivos

 Governo não é negacionista; apoio à ciência no combate à pandemia; volta à OMS;

  • Volta ao Acordo do Clima, chamada Conferência de Paris;
  • Colocação da temática ambiental novamente na pauta mundial;
  • Decisão de desocupar o Afeganistão e Iraque;

 

  1. Frustrações internacionais relacionados a tema dados como certos de que mudariam
  •  Volta ao acordo nuclear com o Irã (JCOPA);
  • Vota das relações com Cuba nos patamares deixados por Obama;

 

  1. Sinais de dubiedade com relação à América Latina
  •  Reconheceu as eleições peruanas como limpas e ao novo governo, indicando o país como modelo para a democracia ocidental;
  • Segue reconhecendo Guaidó como “presidente” da Venezuela;
  • Mandou recado para JB para parar de criticar as urnas eletrônicas, que são seguras;
  1. Não disse ainda a que veio

 Apoio a um processo de paz na Palestina.

 

Conclusões

 É inevitável concluirmos que a derrota fragorosa dos EUA não foi apenas no Afeganistão, como muitos autores estão anunciando. Foi em toda a Ásia Central. O Afeganistão, que é cercado por países de população muçulmana majoritária, mais o Irã xiita e a República Popular da China, tinha esse país ocupado pela maior potência do mundo – militar e econômica – como uma espécie de cabeça de ponte no enfrentamento ao conjunto de países vizinhos.

Costumo fazer a comparação com Israel. É cabeça de ponte, é destacamento avançado do imperialismo e do sionismo internacional. Em meio a 400 milhões de árabes muçulmanos. Um corpo estranho, defendendo interesses alienígenas, imperialistas. Assim devemos encarar a presença estadunidense no Afeganistão por vinte longos anos. Dez anos após a morte do terrorista Bin Laden, capturado inclusive no país vizinho, o Paquistão. Por isso a derrota tem uma dimensão maior.

E não tem como não compararmos as cenas da tentativa de fuga pelo aeroporto de Cabul, seja com o fato de afegãos se agarrarem ao trem de pouso de um avião militar estadunidense – pelo menos três morreram por isso – bem como aquela ponte, de nome finger – que dá acesso aos aviões, totalmente lotada com pessoas caindo pelas laterais, com a cena famosa de um helicóptero pousando no teto de um prédio próximo à embaixada dos EUA, em Saigon, em abril de 1975, na tentativa de retirar as últimas pessoas dos EUA e seus colaboradores, após a derrota final da chamada Guerra do Vietnã de 12 anos.

Desde a posse de Joe Biden, como 46º presidente dos EUA, em 20 de janeiro passado, eu venho analisando a correlação de forças em plano mundial e afirmando que a agressividade do imperialismo estadunidense está diretamente ligada ao avanço das lutas dos povos em todo mundo e o fortalecimento da China e da Rússia no cenário da geopolítica mundial.

Toda e qualquer ação eventualmente positiva do chefe do imperialismo, jamais devemos creditá-la a alguma eventual “bondade” dessa pessoa, que ao mesmo tempo é presidente do maior país do mundo, mas sim pelo fato que estamos avançando nas lutas. Da mesma forma o contrário, ou seja, se ele pratica as maldades de sempre, tradicionais do imperialismo e as consegue implantar é um mais sinal para todos nós, pois significa que a nossa força das lutas em todo o mundo não têm dado resultado e mesmo a China e a Rússia não estão conseguindo contê-lo.

É simples assim. É dialético. Não se trata jamais de dar crédito ou acreditar e ter ilusões com o imperialismo, como alguns autores insistem em dizer, deturpando a análise materialista que fazemos sempre.

Os episódios do Afeganistão são apenas parte do processo de declínio acentuado e da crise que vive o imperialismo e seu sistema capitalista caduco que impõe sofrimento, miséria e desigualdade para toda a humanidade que não tem acesso à bens básicos de consumo. Por isso dizemos que é irreversível a derrota total e completa do imperialismo. Como todos os impérios caíram na história, por que seria diferente com este? Se os sistemas socioeconômico como escravismo e feudalismo acabaram um dia, por que o capitalismo seria eterno? A vontade dos próprios capitalistas não será suficiente jamais para que ele seja eternizado.

 

Notas

12) Filme muito bem-feito, disponível apenas na plataforma de streaming HBO, retrata com fidelidade uma peça teatral, que corresponde aos acordos de paz entre israelenses e palestinos assinados em setembro de 1993, mediados pela Noruega. Veja mais detalhes neste endereço <Oslo, em análise>;

13) Um longo período transcorreu até que a República Popular da China fosse admitida nas Nações Unidas no lugar da “República da China”, representada pela Ilha de Taiwan. Veja essa trajetória no endereço <China e as Nações Unidas>;

14) Tsai Ing-Wen, a primeira mulher a ocupar a presidência de Taiwan, do Partido Democrático Progressista, de oposição ao antigo Kuomintang, partido de Chiang Kai-Shek. Para mais informações sobre ela veja neste link <Tsai Ing-wen>;


Texto em português do Brasil

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