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João de Sousa

Quinta-feira, Julho 7, 2022

O fogo e as cinzas

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Colaboração do Núcleo de Investigação Nelson Mandela – Estudos do Humanismo e de Reflexão para a Paz (integrado na área de Ciência das Religiões da U.L.H.T.)

Perde-se a vida, ou a vida que ficou para trás. Hoje é o fogo – e o drama cai sobre nós, com uma inexplicável brutalidade, ontem foi a guerra, em cenário mais distante. Não há, todavia, comparação entre desgraças. A dimensão do que se sofre não tem bitola. Somos do tamanho da nossa dor – mesmo quando não a revelamos.

Não podemos pôr, então, na mesma plataforma o flagelo dos incêndios e o da guerra – mas se formos a ver bem, entre um e outra há similitude. É claro que Pedrógão Grande é nosso e está mais próximo. E quando derramamos lágrimas na nossa própria língua, nada se lhe compara. Enterramos os nossos mortos, isso é ainda mais trágico. Não se veja engano nestas palavras: sabemos que sofrer é sempre a violentíssima etapa de quem está vivo.

Deslocados e refugiados: Novo recorde

O número de deslocados e refugiados atingiu novo recorde de 65,6 milhões em 2016. A ONU faz a declaração e Bruxelas abre processos contra três países por não aceitarem refugiados: o número de pessoas que foram forçadas a abandonar as suas casas devido à guerra, violência ou perseguição atingiu um valor recorde em 2016, com 65,6 milhões de deslocados internos ou refugiados, revelou hoje a ONU. Pense-se, à escala, no que se passa em território português: o fogo mata, desaloja, desloca – e temos de fazer alguma coisa!

“O número global de 65,6 milhões reflete um ligeiro aumento face aos 65,3 milhões” de 2015, declarou o alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, na apresentação do relatório anual daquela agência da ONU.

Imagine-se um grande buraco na crosta terrestre onde milhões se precipitam!

Uma em cada 113 pessoas em todo o mundo, vive atualmente deslocada!

Dois terços são deslocados internos, ou seja, no seu próprio país (40,3 milhões contra 40,8 milhões em 2015). Síria, Iraque e Colômbia representam os principais focos de deslocamentos internos.

Com 22,5 milhões – dos quais mais de metade crianças –, o número de refugiados registados no ano passado figurou, em contrapartida, como o mais elevado de sempre.

Já o número de requerentes de asilo ascendeu a 2,8 milhões.

O conflito na Síria, que começou em 2011, continua a gerar o maior número de refugiados (5,5 milhões no total), com perto de 825.000 novos registos em 2016, indica o relatório do ACNUR, divulgado na véspera do Dia Mundial do Refugiado, que manifesta particular preocupação com o panorama no Sudão do Sul.

Segundo o ACNUR, verifica-se uma rápida deterioração da situação no Sudão do Sul, “depois do catastrófico fracasso dos esforços de paz em julho”.

De acordo com as palavras de Filippo Grandi é a crise de deslocamentos forçados no Sudão do Sul que “conhece o crescimento mais rápido no mundo”.

E em Portugal

Cá dentro, no nosso país, o fogo, impiedoso, mata. Enterramos os mortos. Erguemos lutos. Procuramos responsabilidades, sabendo que o homem é sempre mais pequeno que a Natureza. Lá longe, o Homem procura sobrepor-se à natureza. Age com o fogo artificial que criou para dominar homens como ele.

10 milhões de pessoas erram neste momento pelo planeta, nossa casa comum não têm qualquer nacionalidade.

Arde em todos nós o fogo revoltante da realidade.

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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