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Terça-feira, Agosto 3, 2021

Futebol: um dos desportos mais amados, mas mais atrasados do mundo

Nelson Oliveira
Psicólogo clínico, Mestre em Gestão Autárquica e membro de várias instituições desportivas e humanitárias

arbitro-fifa

Há uns meses, na sessão de lançamento do livro do Ano Municipal do Desporto promovido pela Câmara Municipal de Lousada, foi perfeitamente delicioso ouvir o Prof. Dr. José Neto – Mestre em Psicologia Desportiva e Doutor em Ciências do Desporto – falar sobre Futebol da forma entusiasta como só ele sabe fazer.

A componente social que envolve as pessoas que, desde crianças, aprendem a trabalhar em equipa e em torno de um objectivo comum; a promoção da igualdade em que qualquer grupo de miúdos não necessita de ter grandes recursos económicos para “jogar à bola” – quem nunca participou num jogo em que a bola era uma lata e as balizas eram assinaladas por duas pedras? Quem nunca teve dúvidas, nestes jogos de criança, sobre uma falta ou se a bola entrou e tudo se resolvia com a típica frase: “Se não é golo, é penalti!”.

Com a evolução natural dos tempos, o Futebol foi mudando e transformou-se numa das actividades com maior retorno financeiro do planeta.

Sobre isto, muito haveria a dizer, mas irei concentrar-me apenas nas regras do jogo. Aquelas que esta semana começaram a ser discutidas pelo International Board da FIFA, nomeadamente a inclusão do vídeo-árbitro e de uma quarta substituição.

Não sabemos se estas alterações, mais do que necessárias, irão avante. Sabemos, contudo, da resistência crónica do Futebol à mudança, mesmo existindo meios tecnológicos capazes de reduzir o erro Humano e a interferência deste na verdade desportiva.

Desde sempre joguei Hóquei em Campo (não… não tem patins). Porventura um desporto desconhecido para a grande maioria dos Portugueses mas que é um dos desportos olímpicos mais praticados no mundo.

Havia um tempo em que o Hóquei em Campo tinha foras-de-jogo, limites de substituições, não existiam sanções tão gravosas que penalizassem um cartão amarelo (tempo de suspensão) e o recurso às novas tecnologias era inexistente. Houve uma evolução e aos poucos foi-se mudando a forma de ver o jogo, passando a existir nos jogos televisionados e nas mais importantes competições o recurso ao famoso vídeo-árbitro, entre outras novidades.

Mas este recurso não é discricionário. Cada equipa (através do capitão) tem apenas uma oportunidade, em cada parte, para solicitar ao árbitro o recurso ao vídeo. Tendo razão no lance, o direito mantém-se em vigor, não tendo razão, perde o direito de usar este recurso. Desta forma, o jogo não está sempre em constante paragem e o papel “humanizante” do árbitro no jogo, mantém-se.

O Rubgy é outro extraordinário exemplo de inovação, permite-nos actualmente ouvir, via TV, a conversa mantida entre o árbitro e os jogadores, ou a visão do árbitro através de uma câmara instalada na camisola deste.

Já é tempo do Futebol dar um passo em frente e deixar de ser um desporto em que se discute arbitragem em 6 ou 7 programas televisivos (com muita audiência e pouca coerência), em vez do jogo.

É tempo de não limitarem as substituições. Plantéis de luxo, pagos a peso de outro e jogadores que passam um ano sentados no banco de suplentes, sem serem usados em certas alturas do jogo. Com esta medida, promovia-se a competitividade do jogo e dos jogadores, minorava-se o cansaço físico dos atletas, e o Futebol era jogado a um nível mais elevado.

É tempo de se acabar com a assistência médica demorada que, em situações tidas como normais, podem ser alvo de aproveitamento de quem está a vencer (nesta matéria o Rugby é exemplar). Com a inexistência de limites às substituições, esta questão era facilmente resolvida com a entrada de outro jogador de imediato.

É tempo de pararmos com as constantes interrupções para uma simples substituição. O quarto árbitro serve perfeitamente para fiscalizar a substituição no decorrer do jogo, sem paragens que, na sua maioria, são usadas para “passar tempo útil de jogo”. É desprestigiante assistirmos a esta “cerimónia solene” que uma substituição representa no Futebol.

O jogo pára, o árbitro levanta a placa, o jogador finge que não vê e quando é chamado começa a sair a passo, no caminho cumprimenta todos os colegas e o público aplaude ou desespera, consoante o resultado da sua equipa.

É tempo de acabarem com o fora-de-jogo. Uma regra que abarca mais dúvidas e suspeições junto dos árbitros do que benefícios para o jogo. Sem esta regra, poderiam existir mais golos e mais rapidez.

A eterna discussão de “bola na mão ou mão na bola” acabaria, sancionando qualquer toque. Apenas a título de exemplo, no Hóquei em Campo, é proibido jogar a bola com o pé. Qualquer toque com o pé, propositado ou não, é sempre falta. Cabe ao defesa proteger-se desse contacto e havendo-o, a falta é simples de ser assinalada e sem discussão.

É tempo de penalizar um jogador a quem seja atribuído o cartão amarelo, ou introduzir outro cartão. Actualmente no Futebol, um cartão amarelo pode não significar nada. Existem até amarelos por conveniência do jogador para cortar um lance perigoso.

Em grande parte das modalidades, a admoestação com um cartão que não o vermelho equivale a uma penalização de tempo sem jogar (2, 5 ou 10 minutos em alguns casos).

A evolução, já feita na esmagadora maioria dos desportos, tem que chegar ao Futebol e de forma urgente.

É tempo de recorrermos às ferramentas informáticas disponíveis, introduzindo também outro tipo de regras que promovam a celeridade e a competitividade dos seus intervenientes, deixando de estar os árbitros constantemente na mira dos fracassos dos jogadores e clubes.

O Desporto-Rei tem tudo a ganhar!

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