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Sábado, Outubro 23, 2021

Inclinar a cabeça às monarquias

Beatriz Lamas Oliveira
Médica Especialista em Saúde Publica e Medicina Tropical. Editora na "Escrivaninha". Autora e ilustradora.

Em abril de 2009, Barack Obama viu-se no meio de uma onda de descrédito hilariante. Numa reunião do G-20, o recém eleito presidente dos EUA foi filmado a inclinar a cabeça ao rei Abdullah da Arábia Saudita. Os conservadores americanos perderam a cabeça.

Órgãos de comunicação social dos USA exultaram e atacaram o presidente por se curvar perante o saudita, e o conservador Washington Examiner disse que a imagem era “uma exibição chocante de lealdade a um país estrangeiro“.

Se um presidente que venerava sauditas escandalizou os conservadores em 2009, o que dirão de um presidente conservador que coloca os sauditas na posição de comando das forças armadas dos EUA em 2019?

A resposta de Donald Trump aos recentes ataques aéreos em duas instalações de petróleo estatais na Arábia Saudita subentendem, isso:

O pato Donald declarou que o petróleo e interesses da Arábia Saudita foram atacados e há razões para acreditar que o culpado está identificado. Depois da identificação feita pelos sauditas, virá a retaliação.

Esperar que sejam os veneráveis sauditas a identificar o culpado pelo ataque, para depois tomar medidas poderá ser classificado como:

uma exibição chocante de lealdade a um potentado estrangeiro“?

Até o New York Times, se pergunta se é possível imaginar permitir à NATO ou a um aliado europeu, tanta confiança para determinar como os Estados Unidos devem responder a este ataque.

Voltamos ao Irão, que será apontado como autor do ataque.

O Tio Donald gosta de ditadores como Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, Kim Jong Un, da Coréia do Norte, ou Abdel Fattah el-Sisi, do Egito, que é o seu favorito. Será  que O Tio Donald  tem laços especiais com areia do deserto? Laços de biliões de dólares que o príncipe gasta em armamento americano. Só lhe falta, ao príncipe, pintar as melenas de loiro.

Dez anos depois de Obama ter inclinado a cabeça perante o rei saudita, Trump inclina o corpo todo perante o amado filho herdeiro do trono.

A imprensa conservadora nos USA nada tem a dizer. O que tinha a dizer disse em 2009.

América first, quer dizer negócios em primeiro lugar.

Mesmo com John Bolton afastado, a política de deriva contra o Irão continua.

Trump foi questionado por um repórter na sua branca casinha se tinha provas de que o Irão estava por trás dos ataques à Arábia Saudita.

Resposta:”Estamos fazendo alguns estudos muito profundos, mas certamente neste momento parece que sim”, respondeu ele, antes de se gabar de ter “os militares mais fortes do mundo”.

O Ministério saudita da Defesa disse a meio da tarde de 18 de Setembro que o ataque às instalações de petróleo veio do norte, refutando as alegações de que foi lançado do Iémene, contradizendo os rebeldes houthis do Iémene, que estão em guerra com a coligação liderada pelos Emiratos Árabes Unidos desde 2015, e que assumiram a responsabilidade pelos ataques, alertando a Arábia Saudita de que seus alvos “irão continuar” a ser atacados.

Já Mike Pompeo, que tem uma visão telescópica, messiânica e evangélica foi acusando o Irão, enquanto este nega qualquer intervenção no ataque.

O ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed al-Jadaan, disse à agência Reuters em entrevista à margem de uma conferência com investidores em Riad que o ataque em nada perturbava a Arábia saudita, nem os seus lucros, nem a sua capacidade de fornecer o mercado. Para mim isto significa que o ataque foi coisa de pouca importância, assim como um ataque de uma mosca ao cócó do meu cão!

O que ainda não percebi é como um país que compra biliões de dólares de material bélico aos USA não tem sistemas de defesa anti drones. Porque o ataque, ao que se sabe, foi feito por drones. Podia ter atingido o palácio real?

Estariam as defesas das arábias estrategicamente desativadas?

Que raio de estudos serão estes que os prestáveis sauditas prometem estar a fazer para esclarecer todas as dúvidas sobre o ataque??

Os mesmos estudos que fizeram lestamente quando assassinaram Khashoggi na embaixada saudita na Turquia?

As monarquias nos tempos que correm estão muito ligadas aos negócios.

Os tempos mudam e é preciso muito dinheiro para alimentar príncipes e princesas europeus e não só, que parecem ofuscar pelo menos os americanos e as senhoras que leem as revistas de culto no cabeleireiro e da massagista.

Casamentos e batizados reais, guarda roupas riquíssimos num planeta em que milhões de crianças têm uma t-Shirt rasgada para vestir.

Esperar para ver! As provas que os sauditas prometem ao mundo.

Mas cheira-me a enxofre!


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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