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Segunda-feira, Dezembro 5, 2022

Marina Abramovic

Yvette Centeno
Yvette Centeno
Licenciou-se em Filologia Germânica, e e doutorou-se com uma tese sobre A alquimia no Fausto de Goethe. É desde 1983 Professora Catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde fundou o Gabinete de Estudos de Simbologia, actualmente integrado no Centro de Estudos do Imaginário Literário.

Marina Abramovic nos anos 70 afirma-se como Performer, num momento em que não se distinguia bem o que era essa nova forma de expressão em que o corpo, exposto no palco ou em qualquer outro espaço, se torna matéria, sujeito e objecto dessa então nova expressão criadora.

Entre nós só um Alberto Pimenta atingiu um alto grau de perfeição no exercício da Performance enquanto “discurso” autónomo. Recordo o seu (agora já transposto em livro) desafio de permanecer encerrado na jaula dos gorilas, impávido, enquanto o público, atónito, parava e comentava…

Há um elemento de profunda ironia e desafio no exercício da Performance: auto ironia, pois se devolve um sentimento de distância em relação ao que se faz, por muito complexa que seja a aposta e extrema a concentração, não isenta de sacrifício e dor; e desafio, pois o que o artista nos diz é simples, mas só em aparência: estás a ver, mas estarás a apreender por completo?

Mais do que adesão sentimental a Performance, como forma superior de Arte, exige atenção, concentração e percepção, dos mínimos detalhes. O segredo estará sempre nos detalhes.

Este exercício do vídeo que escolhi é apenas um exemplo: Marina, não por acaso amiga íntima de Bob Wilson, foi ao longo dos anos aprimorando o domínio, do corpo e da arte, até atingir formas impossíveis.

Aqui, com um pente e uma escova, se discute o que é o Belo na Arte, “Art must be beautiful” e adiante, com um espreitar súbito, que torturas são ou podem ser infligidas ao corpo do artista. O modo repetitivo é uma forma de encantação, que também faz parte da arte…

Vale a pena estudar o seu percurso.

 

(2012)


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