Diário
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Independente
João de Sousa

Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Se os meus olhos falassem…

Era todos os natais da minha menice, os cabazes na loja do povo eram gordos, compostos por:
6 l de óleo vegetal
10 kg de arroz
6  pacotes de massa spargeth
2 pacotes de massa de tubo
2 pacotes de papa Cerelac (humm estes eram a perdição da meninada)
2 latas de leite Pelargon (outra tentação este era já devorado pelo caminho)
4 frangos
1 kg de grão de bico
2 kg de bacalhau
5 kg de batata rena
1 pacote de uvas secas
1 pacote de amêndoas
1 pacote de figos
1 pacote de castanha
2 grades de cerveja
2 grades de gasosa
1 lata de leite Nido
1 garrafão de vinho (uns partiam à saída da loja e outros eram partidos vazios depois de desviarem o líquido simulavam a quebra)
2 latas de chouriço Nobre…
2 kg de trigo
1 lata de manteiga
5 kg de açúcar

E o actor principal Sr. Peru.

Tudo isto daria uma grande festa mas era guardado cuidadosamente pois janeiro estava às portas e era um mês de fome. As vezes a avó Filipa matava um porco para o natal e nos lambuzávamos de sarrabulho.

O bacalhau era posteriormente guisado com massa, e grão servia para o rancho onde adicionavam o touchinho e outros ingredientes

Os bolos eram as vítimas de mãos não prendadas que os transformavam em autênticos pneus… E depois culpavam o fermento ou o trigo.

Mas na hora da ceia… que hora da ceia? Comíamos , dançávamos e recebíamos pingos doces das amêndoas ou as passas…

E na hora da ceia dormíamos… De madrugada ouviamos: Natalééé feliz natal … chegamos lá…
Hummmm é natal… Acho que já fiz chichi na cama…
Feliz natal… encosta aí.

A autora escreve em PT Angola

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