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João de Sousa

Sábado, Dezembro 4, 2021

Myanmar: O sofrimento dos muçulmanos

NINM
Colaboração do Núcleo de Investigação Nelson Mandela – Estudos do Humanismo e de Reflexão para a Paz (integrado na área de Ciência das Religiões da U.L.H.T.)

 Htin Kyaw, o primeiro presidente eleito em eleições livres após 25 anos de política ditatorial

Falamos de Myanmar (Birmânia ou, oficialmente, República da União de Myanmar) que em março de 2015 elegia Htin Kyaw, o primeiro presidente eleito em eleições livres após 25 anos de política ditatorial, dominada pelo exército. Kyaw é o homem de confiança da ativista Aung San Suu Kyi, prémio Nobel da Paz, secretária-geral da Liga Nacional pela democracia e filha de Aung Sa, considerado o pai da Birmânia moderna, prometia também um novo rumo para o país que, ela mesma, a 6 de abril do mesmo ano assumia o recém-criado cargo de Conselheiro de Estado, um papel semelhante ao de um primeiro-ministro. Htin Kyaw e ela prometiam construir a nova Birmânia, um Myanmar para todos.

Não é o que se passa.

Se em 2012, em junho e a outra em outubro, orquestradas por grupos extremistas de maioria budista em Rakhine, deixaram cerca de 140 mortos rohingya, centenas de casas e edificações muçulmanas destruídas e 100 mil desabrigados, em novembro de 2016, a operação que o exército de Myanmar levou a cabo no oeste do país levou centenas de muçulmanos rohingya a tentarem atravessar um rio e entrar no Bangladesh, deixando mais de uma centena de mortos para trás – sob a justificação oficial de “que os rohingya são terroristas”.

Nem a Prémio Nobel consegue deter uma raiva ancestral e uma vontade profunda de agir em nome de um racismo inexplicável. A destruição de uma minoria parece ser a missão histórica de alguns poderosos birmaneses. Um ódio muito antigo, que opõe budistas a muçulmanos (e, em particular, budistas à minoria muçulmana Rohingya).

Os rohingya, grupo étnico islâmico, foram marginalizados em vários países, sendo perseguidos por motivações étnicas e religiosas, tendo de se refugiar em guetos e favelas, a ponto da Organização das Nações Unidas ter considerado o grupo – que não chegará aos dois milhões de pessoas – como uma das minorias mais perseguidas do mundo. O pertencerem ao mundo islâmico parece ter-lhes retirado protagonismo na imprensa ocidental, cujas bitolas querem fazer crer que há um só Islão no mundo – esquecendo que se trata de um quinto da Humanidade com caraterísticas autónomas e bem diferenciadas caso a caso, povo a povo.

Em Myanmar , os rohingya são proibidos de se casar ou de viajar sem a permissão das autoridades e não têm o direito de possuir terra ou propriedade.

Os refugiados rohingya encontraram refúgio temporário em campos no Bangladesh.

Myanmar é um país do sul da Ásia continental limitado ao norte e nordeste pela China, a leste pelo Laos, a sudeste pela Tailândia, ao sul pelo Mar de Andamão e pelo Canal do Coco, a oeste pelo Golfo de Bengala e a noroeste pelo Bangladesh e pela Índia. A cultura do país baseia-se no budismo teravada influenciado por elementos locais (nota: Teravada ou Theravada, literalmente “Ensino dos Sábios” ou “Doutrina dos Anciões”, é a mais antiga escola budista. Foi fundada na Índia). A guerra começou desde logo entre etnias.

Myanmar tornou-se independente do Reino Unido em 4 de janeiro de 1948, com o nome oficial de “União da Birmânia”, designação que voltou a adotar após um período como “República Socialista da União da Birmânia” (4 de janeiro de 1974 a 23 de setembro de 1988). Em 18 de junho de 1989, o regime militar birmanês anunciou que o nome oficial do país passaria a ser União de Myanmar. A nova designação foi reconhecida pelas Nações Unidas e pela União Europeia, mas não pelos governos dos Estados Unidos e Reino Unido.

Em 2006, a capital do país foi transferida de Rangum para Nepiedó.

As forças armadas birmanesas controlaram o governo desde que o general Ne Win liderou um golpe de Estado em 1962 para derrubar o governo civil de U Nu.

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

Nota do Director

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