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Domingo, Outubro 17, 2021

Morte de 11 pessoas provoca demissão no governo

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A confirmação, feita por fontes oficiais, nomeadamente na pessoa do comandante da Guarda Nacional, coronel Jorge Martins Andrade, o chefe das Forças Armadas cabo-verdianas apresentou o seu pedido de demissão ao ministro da Defesa, Luís Filipe Tavares, e na segunda-feira deverá fazer um comunicado público sobre essa decisão.

Esta informação foi avançada hoje numa conferência de imprensa, a primeira de um responsável das Forças Armadas na sequência da morte de 11 pessoas no destacamento militar de Monte Txota, no concelho de São Domingos, interior da ilha de Santiago.

Também o ministro da Defesa confirmou ter já aceitado o pedido de demissão de Alberto Barbosa Fernandes, que ocupa o cargo desde Novembro de 2011.

Um porta-voz da Presidência da República de Cabo Verde terá afirmado que Alberto Barbosa Fernandes pediu na sexta-feira, ao final da tarde, uma reunião de urgência com o chefe de Estado para tratar de assuntos relacionados com os acontecimentos no posto militar de Monte Txota.

Nessa altura, terá comunicado ao Presidente da República, que é comandante supremo das Forças Armadas, a sua intenção de se demitir.

Na terça-feira, os corpos de 11 pessoas – oito soldados e três civis, incluindo dois espanhóis – foram encontrados no destacamento militar de Monte Txota, no concelho de São Domingos, interior da ilha de Santiago.

O suspeito das mortes, detido na passada 4ª-feira, será um militar colocado no referido destacamento desde há um ano, Manuel António “Anthony” Silva Ribeiro,  de 22 anos. Silva Ribeiro foi ouvido pelo Tribunal Militar na sexta-feira, e já se encontra em prisão preventiva num estabelecimento prisional militar.

À imprensa, o Gabinete do Chefe de Estado-maior das Forças Armadas contou que “Anthony” Silva perdeu uma briga com um colega do destacamento e não se conformou. Entretanto, o Comandante da Guarda Nacional, Jorge Reis, reconheceu que os processos de comunicação e a avaliação psico-social dos recrutas terá de melhorar. “As investigações internas levam-nos a concluir que esteve na origem do ocorrido um desentendimento do soldado Ribeiro com um colega de destacamento, que culminou com um confronto físico, de onde saiu derrotado.

Com isso, ficou no posto de serviço, ao invés do outro colega, tendo sido então alvo de gozo por parte dos restantes militares”, revela Reis que, prosseguindo relatou que o soldado, por considerar injusta a medida que o sargento lhe aplicou, ameaçou matar todos os integrantes do destacamento – uma ameaça que não foi levada a sério e “todavia veio a concretizar-se enquanto todos estavam a dormir”.

O porta-voz das FA esclarece que o homicida já foi apresentado ao juiz para o primeiro interrogatório e legalização da prisão. Aliás, Silva já está a cumprir prisão preventiva no estabelecimento prisional militar, realça.

Apesar de as FA avançarem estas explicações, a instituição tem a decorrer um inquérito para apurar todos os factos e então proceder ao cabal esclarecimento público sobre este acontecimento que abalou a sociedade cabo-verdiana.

A morte das 11 pessoas está a levantar várias questões sobre o funcionamento das Forças Armadas cabo-verdianas e daquele destacamento em particular.

Em causa está, entre outros aspectos, a existência de indícios de que os corpos das 11 vítimas só foram descobertos mais de 24 horas depois da hora das mortes, o que está a levantar dúvidas sobre as rotinas de funcionamento do posto e o contacto com o comando.

Uma das vítimas, cujo funeral se realizou hoje era Danielton Monteiro, informático e docente na Universidade Lusófona de Cabo Verde, de onde se ausentou com uma licença sem vencimento por três meses; encontrava-se temporariamente ao serviço do destacamento de Monte Txota para realizar trabalhos de manutenção nos sistemas de comunicação, em colaboração com os outros 2 civis mortos,  ambos de nacionalidade espanhola.

Fonte: LUSA, A Semana

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