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Terça-feira, Setembro 28, 2021

O objetivo da tentativa golpista de Trump é destruir a democracia

José Carlos Ruy, em São Paulo
Jornalista e escritor.

Há muito tempo é óbvio que Trump era uma ameaça à própria sobrevivência do governo democrático neste país.

por Conselho Editorial do People´s World  | Tradução de José Carlos Ruy

Por muitos meses, o Peoples’s World” advertiu que Trump havia se posicionado como o líder de um movimento fascista de massas e que não recuaria ante nada para manter seu controle no poder. A tentativa de golpe que se assistiu em Washington, na quarta-feira (6), mostrou a verdade definitiva e inegável desse aviso, transmitida ao vivo por televisões e smartphones em todo o mundo.

Desde o momento em que ele apresentou a ideia de adiar a eleição e enviou tropas federais armadas contra pacíficos manifestantes do Black Lives Matter em Lafayette Park até a criação de comissões para roubo de votos na Pensilvânia em outubro e as mentiras intermináveis ​​sobre a “eleição roubada” desde novembro, Trump tem aumentado as chamas em um caldeirão fervente de extremismo racista de direita.

Essa mistura mortal agora transbordou e resultou na tentativa de golpe fascista na capital do país.

O ainda ocupante do Salão Oval passou semanas convocando essa turba para Washington, para ostensivamente “contestar” a certificação de sua derrota no Colégio Eleitoral para o presidente eleito Joe Biden. Na realidade, eles serviram como o músculo externo para apoiar a “Convenção de Sedição” no Senado, que estava operando internamente para sabotar o reconhecimento da derrota eleitoral de Trump.

Depois de reunir suas forças no centro de Washington, Trump acendeu o pavio para a explosão de violência na manhã de quarta-feira (6) com seu grito de guerra: “Nunca desistiremos! Nós nunca iremos ceder!”

O ex-prefeito de Nova Iorque e advogado do presidente, Rudy Giuliani, parecendo Joseph Goebbels, disse às forças do Trump que era hora de “julgamento por combate”. Tendo levado suas legiões ao frenesi, Trump e seus capangas os enviaram marchando em direção ao Congresso.

Após a chegada, as tropas de choque de Trump invadiram o Capitólio, arrebentando portas e janelas. Eles viram apenas resistência nominal das forças policiais de lá, um fato curioso, considerando os esquadrões de tropas federais fortemente armadas que estavam estacionados em toda a cidade quando os manifestantes Black Lives Matters realizaram protestos pacíficos no verão passado. Os supremacistas brancos armados, no entanto, chegaram à cidade e foram capazes de tomar o controle do Capitólio dos EUA. A administração Trump, entretanto, manteve a Guarda Nacional sob controle.

O bando trumpista conseguiu atrasar a contagem do Colégio Eleitoral, temporariamente. Membros do Congresso foram levados para um local seguro e o vice-presidente Mike Pence foi retirado para fora do prédio por um túnel secreto. (Tendo falhado em se comprometer com o último esforço de Trump para roubar a eleição, Pence agora aparentemente se tornou um vilão para a horda fascista também.)

O presidente eleito Biden criticou veementemente os invasores e seu líder, dizendo: “Basta, basta.” Depois de horas de silêncio, Trump finalmente se manifestou – não para condenar a violência, mas para elogiar os desordeiros! Ele declarou seu afeto e apreço aos criminosos do Capitol, dizendo “Nós vos amamos. São muito especiais.”

O único ponto positivo da tarde veio quando, no exato momento em que senadores republicanos estavam se manifestando nos corredores do Congresso, o partido perdeu o controle do Senado. Em meio ao caos, a liderança do Senado escorregou das mãos de Mitch McConnell quando o democrata Jon Ossoff foi convocado para ocupar a segunda vaga do estado da Geórgia.

À noite, alguns dos danos causados ​​estavam se tornando aparentes. Pelo menos uma pessoa foi baleada e morta, explosivos foram descobertos e a traidora e branca bandeira das estrelas e barras da supremacia da Confederação foi desfraldada nas galerias do Senado. O gás lacrimogêneo flutuou sobre o Capitólio quando o sol se pôs e incêndios eclodiram no National Mall.

Todos os fascistas rebeldes devem ser presos, acusados ​​e julgados por insurreição. Uma parte considerável deles se recusou a usar máscaras em protesto contra a “farsa” do coronavírus, então eles deveriam ser fáceis de identificar e deter.

Os cúmplices de Trump no Partido Republicano que estavam tentando sabotar a certificação eleitoral – Ted Cruz, Josh Hawley e o resto – merecem não apenas a condenação pela história, mas também a condenação pelos tribunais. Expulsá-los do Congresso, como a deputada Cori Bush (democrata, Missouri) pediu, e, quando possível, prendê-los.

Quanto ao próprio suposto ditador, se seu gabinete estiver disposto a cumprir seu juramento à Constituição, ele se reunirá agora e o destituirá do cargo de acordo com o protocolo da 25ª Emenda. Quer isso aconteça ou não, o Congresso deve votar imediatamente novos pedidos de impeachment e prosseguir com um julgamento no novo Senado de maioria democrata. A deputada Ilhan Omar (Democrata, Minnesota) já está em campanha para isso.

A alegação de fraude eleitoral feita por Trump no telefonema ao Secretário de Estado da Georgia, Raffensperger neste fim de semana, já foi causa suficiente; os eventos de quarta-feira devem eliminar qualquer hesitação em acusá-lo novamente.

Mesmo que ele saia do cargo antes que uma condenação ocorra, o impeachment de Trump por tentar derrubar o governo democraticamente eleito dos EUA pode proibi-lo de concorrer a um cargo novamente.

Por anos, Trump tem contado quem e o que é. Um fascista ocupa a Casa Branca desde janeiro de 2017. Se ele pudesse conseguir um ou dois generais para acompanhá-lo e fornecer as tropas para isso, ainda há alguma dúvida de que Trump destruiria completamente a democracia dos EUA?

Para quem presta atenção, há muito tempo é óbvio que Trump era uma ameaça à própria sobrevivência do governo democrático neste país. Os eventos em Washington em 6 de janeiro tornam isso totalmente inegável.

Já dissemos antes e diremos de novo: Não ao golpe Trump.


por Conselho Editorial do People’s World (integrado por John Wojcik, C.J. Atkins, Chauncey K. Robinson, Roberta Wood, Joe Sims, Eric A. Gordon, C. Mark Gruenberg)   |   Texto em português do Brasil, com tradução de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV  / Tornado


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