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Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

“O Pobre Poeta”

Guilherme Antunes
Licenciado em História de Arte | UNL

Der arme Poet (O poeta pobre)
Der arme Poet (O poeta pobre)

Perguntar-se-á, então, qual a razão desta opção? Estranhamente, este sofrível pintor é o mais admirado pelos alemães, que entre si competem pelos seus trabalhos quase como uma fobia. Parece que num estudo efectuado na terra de Goebells e Merkel, só Leonardo da Vinci, e a sua “Mona Lisa”, tinha mais as preferências dos teutónicos colocando Dürer e a sua “A Lebre”, na terceira posição.

Este germanismo por vezes patológico, podia ser mais aconchegado, uma vez que aquele é um povo tradicionalmente culto e, certamente, outros nomes há de incontestável maior merecimento estético.

O que ressalta de imediato ao olhar do observador é aquele chapéu-de-chuva que se garante nunca ter sido anteriormente usado. Pode ser simbolizado como um elemento de algum aparato, que foi lançado popularmente pelo “rei cidadão” francês, Luís Filipe, “para estar mais próximo do povo”.

Mas nesta altura já o rei da Baviera proibira a palavra e a mandara substituir por “súbdito”, alegando que a primeira denunciava arrogância. Outro chapéu, cilíndrico, merece o destaque do artista e é oriundo da Revolução Francesa.

O poeta metido dentro da cama tapado por cobertores foge ao frio da sua triste vida. O que tem de seu são os livros, o que nos dá a indicação de alguma erudição, mas que não permitiam aos poetas (na Alemanha) uma vida que saísse da pobreza mais confrangedora.

Nota da Edição

Carl Spitzweg, em foto de cerca de 1860.
Carl Spitzweg, em foto de cerca de 1860.

Carl Spitzweg (1808-1885)

Pintor alemão, filho do meio de uma rica família de comerciantes, completou os estudos em farmácia na Universidade de Munique, área em que trabalhou até 1833.

Nesse ano recebeu uma herança o que lhe permitiu abandonar todas as suas preocupações financeiras e dedicar-se apenas à pintura.

Carl Spitzweg passou então a viver um dia a dia monástico em um sótão de uma casa na pitoresca cidade de Rothenburg e só ocasionalmente recebia a visita de amigos pintores.

Na arte, Spitzweg foi um autodidacta. A sua aprendizagem consistiu em estudar por conta própria o clássico de John Burnet Treatise on Painting e visitar os diversos centros da arte europeus de sua época, como Londres, Paris, Praga e Veneza. As primeiras experiências artísticas práticas de Spitzweg foram cópias das obras dos mestres da arte flamenga.

Rapidamente, contudo, seu estilo tomou a forma da arte da era Biedermeier, que se vale de cores naturais para dar atenção ao conforto das ativididades privadas e hobbies da burguesia do início do século XIX.

Carl Spitzweg morreu em 1885, considerado o maior dos pintores do movimento Biedermeier.

Ao longo de sua vida artística, que durou pouco mais de meio século, deixou aproximadamente 1.500 quadros diferentes. A sua imensa popularidade “premiou” o seu legado com roubos e falsificações. Em 2012, um oficial de justiça descobriu num apartamento em Munique mais de 1.300 obras de arte perdidas, de autores como Pablo Picasso, Auguste Rodin, Albrecht Dürer e Edvard Munch. Tocando Piano, um rascunho de Spitzweg, estava no meio delas.

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