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João de Sousa

Sexta-feira, Julho 1, 2022

O verdadeiro desafio

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nuno de sousa pereira

Nenhum fenómeno se prolonga por quarenta anos tendo apenas uma única causa ou culpado. Mais ainda quando os elevados níveis de abstenção são uma realidade em várias democracias ocidentais. Esta tendência é particularmente preocupante no caso de Portugal, onde mais de um terço dos eleitores optam por não votar. Várias explicações têm sido referidas, desde a iliteracia política de uma parte significativa da população, à fraca qualidade dos agentes políticos, ou à percepção de que a diferença entre as alternativas se tem esbatido ao longo do tempo.

A última década introduziu ainda a sensação de que o destino da economia portuguesa se encontra definido e de que pouco se pode fazer para sairmos da situação de crescimento medíocre, caracterizado por Christine Lagarde. O mais provável é alcançarmos o final da presente década com o mesmo nível de riqueza que possuímos no início do milénio, mas com uma população mais envelhecida e uma taxa de fertilidade das mais baixas do mundo. O futuro de Portugal não é prometedor, mas as sondagens, independente do seu maior ou menor rigor científico, demonstram que, apesar de tudo, há uma preferência clara por um futuro menos próspero, mas mais certo, quando a alternativa são resultados incertos e pouco fundamentados.

Esta atitude de conforto em torno da mediania tem um reverso que deve ser combatido quando se reflecte nas expectativas dos agentes económicos. Um ambiente de estagnação não é um contexto em que as empresas e os empresários decidam investir, ou em que a assunção de riscos seja uma prática comum. Muito mais quando a generalidade da população se questiona se terá no futuro rendimentos mais elevados dos que tem hoje, seja por que a sustentabilidade dos diversos sistemas de segurança social ou a capacidade de criação de emprego são colocadas em causa.

Não é, por isso, de estranhar que, apesar das políticas monetárias agressivas adoptadas pelo Banco Central Europeu, a economia europeia não evidencie uma dinâmica de crescimento sustentado e significativo. Recuperar a confiança no futuro é primordial para que se criem condições para que esse mesmo futuro seja mais promissor. Esse é um desafio que está longe de estar superado.

 

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