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Terça-feira, Julho 16, 2024

Obama em Cuba: entre a esperança e o cepticismo

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Prossegue esta Segunda-Feira a visita de Barack Obama, presidente dos EUA, a Cuba. O chefe de Estado americano visitou a catedral de San Cristóbal de la Habana debaixo de intensa chuva e rodeado de populares que o aplaudiram. Ali, Obama encontrou-se com o Cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, que tinha viajado em segredo para Washington em 2014, em representação do Papa Francisco, para auxiliar nas negociações entre os dois países.

Esta tarde, o presidente norte-americano encontrou-se também com o seu homólogo cubano, Raúl Castro, no Palácio da Revolução, na capital, Havana.

Antes, Obama avistou-se com um grupo de funcionários da embaixada norte-americana em Havana, declarando ser “maravilhoso estar aqui”. Recordou Calvin Coolidge, o último presidente dos EUA a pisar solo cubano, há quase noventa anos, que levou três dias a percorrer a distância num barco de guerra. E acrescentou: “eu só precisei de três horas”. Frisou a “ocasião histórica” que a visita representa e insistiu que quer ouvir o povo cubano, revelou o New York Times.

 

Esperança vs cepticismo

Algumas pessoas vêem com cepticismo a visita de Barack Obama. “Fala-se muito que o propósito de abertura de relações é trazer mudanças em Cuba, não me parece que seja o caso”, declarou ao The Guardian Kevin Casas-Zamora, ex-vice-presidente da Costa Rica e responsável do Inter-American Dialogue, uma organização sediada em Washington.

“Obama não faz isto por Cuba, mas pelos EUA, porque isto tornou-se um embaraço para o país – um grande obstáculo nas relações com a América Latina”, frisou. Enquanto alguns habitantes de Havana estão animados com a visita do presidente norte-americano e até têm esperanças em novos tempos, outros estão mais cépticos, porque nem todos os populares puderam vê-lo.

As opiniões sobre esta visita dividem-se. Enquanto uma sondagem de larga escala feita pela Florida International University revela que os jovens cubanos-americanos são a favor desta visita histórica (porque desejam que a sua Cuba natal volte a ser próspera de novo e não estão muito preocupados com questões políticas), o Congresso norte-americano apresenta resistência à visita. Isso explica, de acordo com fontes da Casa Branca, a vontade de Obama visitar Cuba antes de finalizar o seu mandato. O ainda presidente quer evitar que esta seja mais uma tentativa falhada de aproximação entre os dois países. “Queremos tornar o processo de normalização das relações irreversível”, assumiu Ben Rhodes, conselheiro de segurança.

Entretanto, outra sondagem, desta vez uma conjunta do New York Times e da CBS News, revela que 62% dos inquiridos acredita que reabrir relações diplomáticas vai ser positivo para os EUA. Mas menos de metade (40%) acha que isso vai levar a democracia à ilha cubana.

Em vez disso, metade dos inquiridos acredita que não fará grande diferença no aspecto da abertura do regime. 52% dos inquiridos nesta sondagem aprovam a forma como Barack Obama está a lidar com as relações com Cuba, uma subida em relação aos 44% que tiveram a mesma reacção numa sondagem similar em Dezembro de 2014.

Os eleitores democratas tiveram uma visão mais positiva sobre o papel de Obama (78% aprovaram) do que os eleitores republicanos (23% de aprovação e 55% de desaprovação). Quanto à esperança de que este restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países contribua para mais democracia em Cuba, democratas e independentes estão optimistas, enquanto que republicanos estão mais cépticos.

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