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João de Sousa

Segunda-feira, Setembro 27, 2021

Orfeu

Yvette Centeno
Licenciou-se em Filologia Germânica, e e doutorou-se com uma tese sobre A alquimia no Fausto de Goethe. É desde 1983 Professora Catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde fundou o Gabinete de Estudos de Simbologia, actualmente integrado no Centro de Estudos do Imaginário Literário.

Poema de Yvette Centeno

Orfeu

lendo Miguel Serras Pereira

Cresceu nos campos da infância

tinham no meio um jardim

onde ele ia procurar

fosse de noite ou de dia

as flores que preferia

guardava sempre o perfume

até chegar outro dia

dos campos não tinha medo

nem das brisas que sentia

indo a caminho do rio

um rio tão manso aquele

tão cheio de submissão

ali embalava amores

que se escondiam na onda

ali sonhava viagens

que só trariam saudades

longe de dissabores

a amada não fugia

não tinha medo do mocho

do seu pio ouvido ao longe

entre folhagens distantes

onde a amada tecia

as suas coroas de flores

Eurídice dizia ele

num sussurro temeroso

o mocho é ave da noite

o seu apelo é fatal

dá-me a pedra que te dei

em segredo junto ao rio

da nossa infância perdida

vem comigo desta vez

deixa essa noite infernal

dá-me o beijo que é só nosso

o do Jardim imortal

17 de Julho de 2021

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