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João de Sousa

Segunda-feira, Maio 23, 2022

Os “Blusões Azuis”. Os bloqueios. As cidades!…

É um paradoxo. Os “Blusões Azuis” mobilizaram mais agentes do que as redes sociais manifestantes envergando “Coletes Amarelos”.

As reivindicações generalistas veiculadas nas redes sociais foram o proforma da plataforma de alavancagem do movimento dos que envergavam coletes de transito das viaturas imitando o movimento dos “Coletes Amarelos” que em França lança o caos. Com uma diferença relevante. Em França há um núcleo organizado que se movimenta por todo o País com objetivos políticos bem definidos: derrubar o Presidente da República eleito;provocar eleições antecipadas; colocar a extrema direita no Parlamento da França;

Em Portugal, no dia vinte e um de dezembro do ano da graça de dois mil e dezoito, os cidadãos que vestiram os coletes de riscas fluorescentes de uso obrigatório em viaturas, eram poucos, diga-se:

– Fizeram o alarido e mostraram como se bloqueia uma cidade sem nada fazer a não ser, alarido.

Os “blusões azuis” encarregam-se do resto.

Agilizaram os procedimentos de segurança estrema fechando os acessos principais das cidades e os seus pontos nevrálgicos dando azo a que o transito não fluísse e os operadores de câmara mais os repórteres em direto construíssem à notícia que veio a ser motivo de reportagem dos vários canais de televisão nacionais e internacionais enquanto durou a encenação de assalto não se sabe muito bem a quê e, não sei se, os “Blusões Azuis”, o saberiam.

Os de coletes às riscas amarelas fluorescente não sabiam muito bem explicar o que queriam com a ridícula encenação a que se prestaram ao colaborarem num processo que não tinha projeto e muito menos objetivos em concreto.

E quando assim é, uma tentativa de imitação, é claro que a desorganização impera por um fator elementar que é o da inexistência de razões para a mobilização do cidadão comum, acabando a iniciativa por ser um ato gorado e ridículo.

Tão ridículo que ajuizaram os manifestantes na cidade de Braga que o Presidente do Município os autorizou a bloquear as estradas. Como se um Presidente de um Município qualquer tivesse poderes extraordinários para permitir ilegalidades.

Este inacreditável episódio, a manifestação que ia parar Portugal, terá registo para a história porque acabou por ser notícia principal e, motivo de analise política e social feita por académicos e outros comentadores de momentos “extraordinários” um pouco ao jeito do faz de conta que, é um exercício superior feito por pessoas superiores.

Os “Blusões Azuis” sabiam muito bem ao que foram e, quais as ordens que receberam para agir em conformidade.

No entanto e, para concluir, o episódio relatado mais pareceu uma “manifestação” de agentes da autoridade, os de “Blusão Azul”, tão só por da sua farda de serviço de cor azul escuro fazer parte – um “Blusão Azul” – , mas também porque o “bloqueio” na circulação rodoviária em torno das cidades foi organizado e executado, com êxito, diga-se, pelo corpo de agentes da autoridade da Polícia de Segurança Pública.

Fecharam os acessos aos eixos principais das cidades mais os acessos aos seus pontos nevrálgicos prejudicando a vida normal citadina causando transtornos incalculáveis a muitos cidadãos num tempo em que é suposto deverem as forças de segurança assegurar a ordem e o cumprimento da Lei de acordo com os procedimentos legais existentes.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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