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João de Sousa

Domingo, Julho 3, 2022

Pela vida, pelo emprego e pela democracia

João Carlos Gonçalves, Juruna, em São Paulo
João Carlos Gonçalves, Juruna, em São Paulo
Metalúrgico, sindicalista, Secretário Geral da Força Sindical, vice presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Durante a quarentena para contenção do coronavírus, várias manifestações sociais e populares foram realizadas de forma criativa, respeitando o isolamento social.

Nós, do movimento sindical, estamos em plena atividade. Lutamos para aumentar os míseros 200 reais de auxílio emergencial proposto pelo governo, e ganhamos essa batalha alcançando um auxílio de 600 reais, que ainda não é o ideal, mas é muito mais do que a proposta inicial. Realizamos um inovador e importante ato unificado do 1º de Maio, trazendo para o mesmo palanque políticos de diversas correntes, como Lula, Fernando Henrique, Marina Silva e Ciro Gomes. E, além disso, iniciamos, com todas as centrais sindicais, uma campanha contra os retrocessos do governo Bolsonaro.

Desde o início da pandemia condenamos, com razão, manifestações de rua promovidas por apoiadores do governo porque, além de levantar bandeiras antidemocráticas, elas desdenham da crise sanitária e provocam aglomerações, ajudando a disseminar o vírus. Condenamos, sobretudo, o fato de o próprio presidente Jair Bolsonaro participar de muitas destas manifestações, sem o uso de máscara de proteção e estabelecendo contato físico com os manifestantes. Com isso ele está, em um só tempo, apoiando ataques à democracia e contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde.

Nesta primeira quinzena de junho de 2020, ainda está em vigor a necessidade de lutar pela quarentena. Hoje, quando o Brasil ultrapassa o macabro índice de mais de 30 mil mortos pelo coronavírus, impõe-se a necessidade de lutar, antes de tudo, pela vida e pela contenção do vírus.

Por isso afirmamos que Bolsonaro e seu governo tem a obrigação de investir na saúde e na sustentação econômica do povo brasileiro durante a pandemia. Mas, se nosso campo provoca a deflagração de manifestações de rua, como vamos fazer essa cobrança tão essencial?

Temos ouvido, conversado e lido muitos argumentos favoráveis e contrários sobre este assunto. Compreendemos que é angustiante para os progressistas, democratas e todas as pessoas que querem o bem do Brasil se manter em quarentena enquanto os bolsonaristas mantem um ritmo semanal de manifestações, ainda que diminutas. Mas ceder a este impulso agora é destruir a campanha que construímos de combate à propagação do vírus, pela vida e pelo emprego.

Vale a pena destacar, neste grande debate, a questão das notas de repúdio, manifestos e cartas abertas em defesa da democracia. A efervescência das ruas tem criado um falso contraste com esse tipo de produção, injustamente tachados de comodismo e inação. Isso não é verdade. Somadas às manifestações criativas, ações, negociações, e também a ações de rua, quando for seguro realizá-las, as notas nos ajudam tanto a saber a posição de cada entidade, quanto a amadurecer e definir a posição da entidade que representamos. E esta elaboração nos guia e nos dá unidade na ação.

Desta forma, concluímos que os movimentos experientes e organizados devem manter sua postura na luta contra a pandemia e em defesa do SUS, em defesa do auxílio emergencial aos trabalhadores e financiamento das pequenas empresas, em respeito aos trabalhadores e suas instituições e pela união nacional. Esta é hoje a principal ação de combate aos retrocessos do governo Bolsonaro.


por João Carlos Juruna, Wagner Gomes e Álvaro Egea | Texto em português do Brasil


  • João Carlos Gonçalves, Secretário geral da Força Sindical
  • Wagner Gomes, Secretário geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
  • Álvaro Egea, Secretário geral da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)

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