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Quarta-feira, Junho 19, 2024

Pelo fim das sanções à Rússia

Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida
Economista, MBA, Pos-graduado em Estudos Estratégicos e de Segurança, Auditor do curso de Prospectiva, geoeconomia e geoestratégia, Doutorando em Sociologia

A União Europeia, leia-se a Alemanha, tem vindo a seguir uma desastrosa e perigosa política de sanções à Rússia na sequência do violento golpe de Estado na Ucrânia apoiado e promovido pela Alemanha que depôs o Presidente eleito e o substituiu por um oligarca multimilionário pró-alemão.

Ucrânia, riquezas e golpe

A Ucrânia pelas suas riquezas naturais, matérias-primas essenciais à indústria germânica como o aço (10º produtor mundial) o uranio (10º produtor mundial), o trigo (10º produtor mundial) e pelo seu complexo industrial-nuclear sempre foi muito apetecível pela Alemanha.

Note-se a importância de controlar um dos grandes fabricantes de aviões mundiais como é a Antonov ou grandes fabricantes automóveis como a UkrAvto Bogdan e outras.

A indústria de armamento é também um sector muito apetecido. Seriam concorrentes que tenderiam a ser comprados e absorvidos pela indústria alemã. Os ganhos para a Alemanha são, evidentemente, grandes.

Recorde-se que nas duas primeiras guerras mundiais a Ucrânia foi sempre um dos alvos prioritários alemães tendo sido ocupada das duas vezes. Só neste contexto se pode perceber o apoio alemão às forças de extrema-direita que tomaram o poder na Ucrânia.

O golpe de Estado pró-alemão provocou uma reacção de repúdio nas populações de etnia russa maioritárias em vastas áreas desse país que culminou com o referendo realizado na Crimeia que ditou a integração desta região na Rússia e pelo eclodir de movimentos nacionalistas armados em várias outras regiões.

Sanções da União Europeia

As sanções da União Europeia têm vindo a revelar-se contraproducentes uma vez que não conseguindo realizar o efeito previsto, uma retirada russa da Crimeia, pelo contrário têm provocado o desemprego e importantes prejuízos económicos nos próprios países da União.

Estima-se em quase meio milhão de empregos destruídos em vários países, nomeadamente na Alemanha e na Polónia mas também em Portugal e noutros Estados. Em valor, os estudos apontam para uma perca de 17 mil milhões de euros anuais no conjunto da União.

Sem contar que a Rússia em retaliação impôs por seu lado restrições às importações da União Europeia nomeadamente ao nível dos produtos alimentares. Produtores como os de carne de porco, e de leite têm sofrido sérios prejuízos com estas contra-sanções. Pagam os agricultores portugueses, franceses e europeus pela política expansionista alemã.

Se as sanções não forem anuladas os produtores agrícolas portugueses verão seriamente comprometido o seu futuro na medida em que a Rússia está neste momento a substituir as importações europeias por importações de outras regiões do mundo, particularmente da América Latina. Com a perca definitiva deste importante mercado, os agricultores verão os preços declinar e muitos enfrentarão a necessidade de abandonar a sua actividade económica. Um vasto sector sacrificado às ambições da Alemanha.

Portugal só tem perdido com este confronto entre a Alemanha e a Rússia, vendo-se envolvido num conflito em que não é parte interessada. O interesse nacional passa pelo apaziguamento entre estas duas potências e pela retirada alemã.

É tempo da União Europeia reconhecer o grave erro que cometeu na Ucrânia, retirar o apoio a dirigentes de extrema-direita no poder nesse país e negociar com a Rússia uma solução política que passe pela eliminação de sanções e contra-sanções que são prejudiciais a ambas as economias.

Nota do Director

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