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João de Sousa

Segunda-feira, Setembro 20, 2021

A meritocracia à portuguesa

Poderíeis gabar-vos de serdes uns excelentes gestores? Poderíeis gabar-vos de serdes o melhor que a meritocracia tem para oferecer? Ou pelo contrário seríeis acusados de incompetência e de destruição do património que vos tinha sido confiado?

Imaginem também que para conseguir este triste resultado, uma desvalorização de 90% do valor da companhia, tinham reduzido o número de trabalhadores, baixado os ordenados, vendido quase todas as operações no estrangeiro e encerrado cerca de um quarto das lojas que a empresa detinha. Que se poderia dizer? Que fora uma estratégia de gestão correcta e plena de êxito? Valerá a pena continuá-la?

E que, para obter tão medíocre resultado, durante este curto período, tinham recebido mais 5 mil euros em injecções de capital para evitar a falência. Grandes gestores ou amadores?

E que, para afirmar a meritocracia implantásseis um sistema de avaliação de pessoal, aplicado apenas aos escalões mais baixos com objectivos muito elevados e em que quem não os cumpre perde uma parte da sua remuneração, que passa a chamar-se variável?

Eis um retrato fiel e verdadeiro da gestão no Millennium bcp nos últimos anos. Vejamos alguns números.

Evolução de Indicadores do Banco Comercial Português

Valores: Total Activo e Capitalização Bolsista em milhões de Euros, Colaboradores e Sucursais em unidades

Indicadores 2010 2016
(3º  trimestre)
Variação
Total Ativo 98.547 73.042 -25%
Capitalização Bolsista 2.732 983 – 64%
Colaboradores 21.370 15.881 -25%
Sucursais 1.722 1.189 -30%
Resultado Líquido 344 -251 -170%

Fonte: Relatório anual de 2010 e relatório do 3º trimestre de 2016

Em escassos 6 anos, o activo reduziu-se em 25%, a capitalização bolsista 64%, o pessoal diminuiu em mais de 5.000 pessoas, o número de sucursais abertas ao público em mais de 500. O resultado líquido de um lucro de 344 milhões de euros no final de 2010 passou para um prejuízo de 251 milhões em Setembro de 2016, depois de vários anos de prejuízos sucessivos.

E para obter tão desastroso resultado foi necessário, de 2011 para cá, pedir 4,3 mil milhões de euros aos accionistas em sucessivos aumentos de capital. Se considerarmos esse investimento, então a perda de valor ronda os 86%. Dinheiro que se perdeu como água em areia. E pedir ajuda ao estado através de empréstimos avultados. Agora de novo se prepara novo aumento de capital destinado a embolsar 1,3 mil milhões de euros.

Imaginem que no vosso emprego ou na vossa vida, conseguiam resultados a este nível. Como seriam julgados pelos vossos colegas, familiares ou chefias?

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