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Domingo, Outubro 24, 2021

“Perlak” – Outros festivais… em San Sebastián

José M. Bastos
Crítico de cinema

69º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE SAN SEBASTIÁN

A selecção de filmes que em San Sebastián é apresentada na secção “Perlas” ou “Perlak” (em português, “Pérolas”), uma das mais apreciadas deste mostra, readquire esta ano a sua característica mais marcante: proporcionar ao público aqui presente o visionamento de obras premiadas noutros festivais. Os trabalhos apresentados nesta secção são, com poucas excepções, candidatos ao Prémio do Público, um galardão atribuído pelo voto dos espectadores.

No ano passado esse aspecto só foi parcialmente cumprido porque alguns desses certames não chegaram a realizar-se. O caso mais significativo aconteceu com Cannes que teve muitos dos filmes da sua programação distribuídos por várias secções do festival basco, com particular incidência na secção oficial.

Este ano é o do regresso a alguma normalidade e assim temos aqui disponíveis várias obras vindas de Berlim, Cannes (sete da secção oficial!) e Veneza.

Os trabalhos apresentados nesta secção são, com poucas excepções, candidatos ao Prémio do Público, um galardão atribuído pelo voto dos espectadores.

A película inaugural das “Perlas” foi “Competência Oficial”, da dupla argentina Gastón Duprat e Mariano Cohn que no passado assinou êxitos como “O Cidadão Ilustre” e “A Minha Obra-Prima”. Desta vez Penélope Cruz, Antonio Banderas e Óscar Martinez são os principais intérpretes de um filme sobre um filme. Vindo da secção oficial de Veneza, “Competencia Oficial” é uma história em que um empresário de sucesso decide produzir um filme que se torne uma obra de referência.

Para o encerramento de “Perlas” foi programado “The Velvet Underground” de Todd Haynes , um documentário sobre a carreira da célebre banda norte-americana de Lou Reed. Este filme esteve presente na secção ‘L’ Oeil d’Or’ do Festival de Cannes.

As outras “Perlas” são:

  • do japonês Ryusuke Hamaguchi, dois filmes: “Drive my car”, presente na secção oficial de Cannes (onde obteve o prémio para o melhor argumento, o prémio FIPRESCI e o prémio do Júri Ecuménico) e  “Wheel of Fortune and Fantasy” (‘Urso de Prata’ do Festival de Berlim);
  • “Titane”, da francesa Julia Ducourneau, ‘Palma de Ouro’ do Festival de Cannes;
  • também da secção oficial de Cannes, “Benedetta” de Paul Verhoeven, “Les Intranquilles” de Joachim Lafosse (Concha de Prata de San Sebastián em 2015), “Red Rocket” de Sean Baker, “The French Dispatch” de Wes Arderso e “Tout S’est Bien Passé” de François Ozon.
  • da secção oficial de Berlim, “Petite Maman” de Céine Sciamma;
  • da secção oficial de Veneza, e lá vencedor do ‘Leão de Prata’ para a melhor realização,  “The Power of Dog”, de Jane Campion;
  • da secção ‘Caméra d’Or’ de Cannes,  “Are You Lonesome tonight?” do chinês Wen Shipei;
  • “Jane par Charlotte”, vindo da secção ‘L’ Oeil d’ Or’ de Cannes, documentário em que Charlotte Gainsbourg e Jane Birkin, filha e mãe, se descobrem uma à outra; e ainda
  • “La Croisade” de Louis Garrel, “Les Illusions Perdues” de Xavier Gianolli e “Ouistreham” de Emmanuel Carrère.

Conclusão: “Perlas” é um autêntico festival dentro de outro festival!

Festival de Cannes e cinema francês com presença esmagadora em  Zabaltegi / Tabakalera

Para além da secção oficial esta é a secção mais antiga do Festival de San Sebastián.  Zabaltegi (Zona Aberta), desde há alguns anos ‘Zabaltegi /Tabakalera’ é um espaço completamente aberto: ficção e documentário, curtas e longas metragens, autores prestigiados (por exemplo o vencedor de Berlim) ou ilustres desconhecidos.

Os filmes presentes este ano são os seguintes:

  • “Bad Luck Banging or Loony Porn” / Má Sorte no Sexo ou Porno Ocidental, do romeno Radu Jude, “Urso de Ouro” do Festival  de Berlim, já em exibição em Portugal;
  • “Cenzorka / 107 Mothers” de Peter Kerekes (Eslováquia / Rep. Checa/ Ucrânia) e “El Gran Movimiento” de Kiro Russo (Bolívia / França) presentes na secção ‘Orizzonti’ do Festival de Veneza;
  • “Eles Transportan a morte” de Helena Girón e Samuel M. Delgado (Espanha / Colômbia), também presente  em Veneza,  uma trama passada no final do século XV, com tripulantes da armada de Cristóvão Colombo;
  • “Haruhara-San’s Recorder” do japonês Kyoshi Sugita, vencedor da competição internacional do Festival de Marselha;
  • “La Traversée”, filme de animação da francesa Florence Miailhe, aclamado no Festival de Annecy,centrado numa família migrante que procura cruzar o Mediterrâneo;
  • “Le Cormoran”, filme francês de Lubna Playoust. A história da relação, em dois períodos das suas vidas, entre uma mãe e um filho retirados numa casa numa ilha isolada;
  • “Les Filles du Feu”, um filme de 38 minutos da francesa Laura Rius Aran. O reencontro, passado dez anos, de cinco jovens que foram protagonistas de um incêndio numa praia, quando tinham 16 anos;
  • “Mi Iubita, Mon Amour”, uma primeira obra da francesa Noémie Merlant exibida e distinguida no Festival de Cannes;
  • “Nanu Tudor”, uma curta-metragem belga de Olga Luconicova exibida no Festival de Berlim, com co-produção portuguesa da Universidade Lusófona;
  • “Petrov’Flu” (A Febre de Petrov), do russo Kirll Serebrenikov, que esteve na competição oficial de Cannes. Duas horas e um quarto para contar um dia na vida da família Petrov, na Rússia pós-soviética, durante uma epidemia de gripe;
  • “Razzhimaya Kulaki” / Unclenching the Fists, outro filme russo da selecção de Cannes, este assinado por Kira Kovalenko;
  • “Retours à Reims” de Jean-Gabriel Périot (França). Este veio da ‘Quinzena dos Realizadores’ de Cannes. Adaptação livre do romance homónimo de Didier Eribon relata através de material de arquivo uma história íntima e política  da classe trabalhadora francesa desde o começo dos anos 50 até à actualidade;
  • “The Souvenir: Part II” de Joanna Hogg (Reino Unido), também da ‘Quinzena dos Realizadores’ de Cannes;
  • Também de Cannes, mas da secção ‘Un Certain Regard’, “Un Monde” da belga Laura Wandel. O ‘bullying’ e um conflito de lealdades num casal de jovens irmãos;
  • Da secção oficial de Cannes, “Vortex” de Gaspar Noé;
  • “Day is Done”, curta-metragem do chinês Zhang Dalei, que participou no festival de Berlim; e por último
  • “Heltzear” de Mikel Gurrea, uma história que nos faz regressar ao ‘conflito basco’ na San Sebastián do ano 2000.

O realizador brasileiro Sérgio Oksman, a argumentista e actriz galesa Miriam Heard e a cineasta espanhola Elena López Riera constituem, nesta edição, o júri da secção “Zabaltegi / Tabakalera”.

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