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Domingo, Outubro 24, 2021

… e o primeiro-ministro reagiu….

Estrela Serranohttps://vaievem.wordpress.com/
Professora de Jornalismo e Comunicação

Presidente tinha comentado, retirando-as de contexto e em estilo de reprimenda, as palavras de António Costa em Bruxelas sobre a situação financeira do País, em que o primeiro-ministro se referiu a 2017 como “um ano particularmente saboroso para Portugal”.  O Presidente veio contrapôr às palavras do primeiro-ministro a tragédia dos incêndios, voltando a criar a ideia de “insensibilidade” de António Costa. Desta vez, o primeiro-ministro  não deixou o Presidente sem resposta e fê-lo, como não podia deixar de ser, com firmeza e rigor:

Acho que há palavras que não devem ser retiradas do contexto em que foram ditas. E essa expressão foi utilizada num contexto próprio, perante funcionários de Portugal que trabalham nas instituições europeias e sobre as relações de Portugal com a União Europeia.” seria desajustada em Pedrógão Grande, como teria sido desajustado falar da tragédia dos incêndios de 17 de Junho na capital belga.Cada palavra deve ser dita em circunstância própria e tirar a palavra da circunstância própria para fazer combate político não creio que seja uma forma saudável de estarmos na vida democrática”.

Segundo o Expresso, as palavras do primeiro-ministro em Bruxelas tiveram eco e caíram mal na Associação das Vítimas de Pedrógão Grande. E assim quando questionada pelo  jornal sobre a ausência do  primeiro-ministro da lista de convidados para o almoço de Natal, cujo “convidado de honra” é o Presidente Marcelo, a presidente  da Associação, Nadia Piaza, respondeu : “Nós convidamos as pessoas que nos ajudaram”.

Trata-se  de uma resposta obviamente influenciada pelos comentários do Presidente, no mínimo infeliz, para além do significado político que obviamente também tem, constituindo uma manifestação de azedume, inexplicável.

Naturalmente que a Associação convida quem quer  para os seus almoços e nem seria expectável que o primeiro-ministro estivesse na “lista de convidados”, estando o Presidente.  Mas a resposta de Nadia Piaza  é pouco natural e pouco polida, a não ser que tenha motivos objectivos que não concretizou. Aliás, na reunião de hoje com a Associação, o primeiro-ministro anunciou que o IVA da reconstrução das casas afectadas pelos fogos de Junho vai reverter para o Fundo Revita tal como já se fez com as chamadas de valor acrescentado.

O primeiro-ministro não deixou também sem resposta a “pressa” do Presidente e as expectativas por ele criadas  de que as casas destruídas pelos incêndios de Pedrógão estariam reconstruídas  no Natal. E, hoje, António Costa disse:

Sempre me pareceu um excesso de optimismo  essa ideia que as casas podiam estar todas prontas no período  do Natal, Era não ter consciência do grau de destruição que tivemos neste território… 70% das casas já estão ou concluídas ou em obra

Como se nada tivesse dito antes, o Presidente veio  agora dizer  que “só depois de visitar novamente a região centro é que pode fazer um balanço da recontrução das habitações afetadas pelos incêndios.”

António Costa tem feito bem em não reagir ao hiper-activismo verbal, por vezes provocatório, do Presidente. Mas há momentos em que calar e não reagir se torna insustentável. Foi desta vez o caso.

Exclusivo Tornado / VAI E VEM

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