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Quinta-feira, Maio 30, 2024

Prometeo, José de Ribera

Guilherme Antunes
Guilherme Antunes
Licenciado em História de Arte | UNL

“Prometeo”, de José de Ribera. José de Ribera é o primeiro dos grandes mestres espanhóis a surgir em meados do século XVII.A numerosa obra de Ribera incide muito na esfera do religioso, combinado com um clímax “tenebrista”, no sentido caravagista da paleta escolhida. Admirador da pintura italiana, ele que é conhecido em Itália por Spagnoletto, opta a partir da sua experiência napolitana entre o temperamento característico espanhol e a evidente sensualidade transalpina (mesclada).

As suas diagonais procuram sempre uma monumentalidade quanto a mim fascinante, como se pode constatar nesta figura mitológica. O corpo musculado do “amigo dos homens” (roubou o fogo a Zeus para lhes dar) e acorrentado a uma rocha por castigo deificado, é de um arrebatador conhecimento da anatomia humana. Repare-se na empolgância da luz que nos mostra bem o sofrimento infligido.

José de Ribera 1591-1652

José de Ribera era também conhecido como Giusepe de Ribera ou com o nome italianizado de Giuseppe Ribera. Foi apelidado pelos seus contemporâneos como Lo Spagnoletto, «el espanholito», por ser de baixa estatura e porque reivindicava as suas origens assinando como «Jusepe de Ribera, espanhol».

O inicio de José de Ribera como pintor é objecto de conjecturas, desconhecendo trabalhos da sua fase inicial em Espanha, mas, no entanto há documentação de sua presença em Parma em 1611, quando tinha vinte anos de idade. Quatro anos depois, tem-se conhecimento da sua presença em Roma como parte de uma colónia de pintores estrangeiros.

Ribera decidiu ir para Itália e seguir as pisadas de Caravaggio. A prática do dramatismo de Caravaggio foi o seu ponto forte. Deu início a uma intensa produção que o manteve distanciado da sua Espanha, aonde nunca regressou, embora se sentisse unido ao seu país de origem dado que Nápoles foi um vice-reino do Império Espanhol e ponto de encontro entre duas culturas de vocação figurativa, a ibérica e a italiana. Conta-se que quando perguntaram a Ribera qual era a razão porque não regressava ao seu país, teria respondido que:

Sinto-me admirado e bem pago em Nápoles, pelo que sigo o tão conhecido adágio de que quem está bem, não muda (…). O meu grande desejo é regressar, mas houve homens de sabedoria que me disseram que em Espanha se perde o respeito pelos artistas que lá se encontram presentes, por ser pátria amantíssima de forasteiros e madrasta cruel para seus filhos».

 

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