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João de Sousa

Domingo, Outubro 17, 2021

Protestos por impeachment do presidente duram uma semana no Paraguai

Pressão para que Mario Abdo Benitez segue forte mesmo após trocas no governo.

Os paraguaios seguem protestando após cinco dias consecutivos de manifestações pelo impeachment do presidente Mario Abdo Benitez e o vice, Hugo Velázquez. O motivo é a condução do combate à pandemia.

Em crise sanitária, o Paraguai acumula 174 mil casos e 3.387 mortes pela Covid-19. A população é próxima a 7 milhões de habitantes e apenas 0,1% da população recebeu ao menos uma dose da vacina. O único imunizante no país é a vacina russa, Sputnik V.

A expectativa dos paraguaios é que os recursos provenientes do empréstimo junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de U$ 274 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) seriam utilizados para providenciar atendimento médico e vacinas. Entretanto, o resultado não foi apresentado e as denúncias de corrupção e má gestão surgiram. Entre as principais acusações estão compras superfaturadas de insumos médicos e a demora na campanha de vacinação nacional.

O serviço público de acesso a medicamentos também é alvo de críticas. É preciso recorrer a um mercado paralelo para comprar remédios. Segundo a líder indígena Alicia Amarilla Leiva, camponeses estão vendendo seus animais e suas casas para arcar com o tratamento de familiares.

“Uma pessoa que entra em terapia intensiva deve pagar cerca de 4 milhões de guaranis por dia (cerca de R$3.300). Algo impossível. As pessoas estão se endividando para poder lutar pela vida”, relata a comunicadora social Cony Oviedo González.

Na capital, os manifestantes ficam em vigília permanente no centro da cidade. Os protestos ocorrem em outras cidades: Caaguazú, Misiones, Encarnación e Ciudad del Este.

A reação policial tem ganhado repercussão nas redes. Cerca de 20 pessoas foram presas durante as manifestações e uma faleceu pela repressão policial. Os manifestantes denunciam tortura contra os detidos e que a polícia está infiltrando agentes para gerar distúrbios.

Em tentativa de conter a pressão, o governo mudou a equipe de ministros. O ministro de saúde Julio Mazzoleni renunciou e o chefe de Estado anunciou uma reforma do gabinete, mudando o ministro de Tecnologia e Comunicação, o ministro de educação, o chefe de gabinete e a ministra da mulher. Abdo Benitez também pediu a renúncia do presidente do Instituto de Previdência Social.

Segundo a imprensa local, as trocas no Executivo parte da negociação entre Benitez e membros do seu partido para não iniciar um processo de impeachment.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

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